eliana Assumpção

Heni Ozi Cukier e Celso Lafer debateram sobre polarização na sociedade e ameaças à democracia 

No terceiro e último dia da 52ª Convenção Anual da CONIB, o cientista político, professor e escritor Heni Ozi Cukier e o professor Celso Lafer debateram, mediados pela diretora da CONIB, Ruth Goldberg, sobre a polarização na sociedade e ameaçãs à democracia , que deve se acentuar com as eleições de 2022. Ao final, os presentes também participaram dos debates fazendo perguntas.

Heni citou o uso das redes sociais que facilitam a comunicação rápida e imediata dando amplitude à desinformação. “O meio (virtual) em que vivemos criou o ambiente propício à polarização e à desinformação”, disse ele. Outro aspecto citado por ele foi o da ideologia política. “O populismo busca criar uma divisão na sociedade entre o bem e o mal. “O populismo não considera a pluralidade e tem grande receptividade na América Latina”, destacou. Heni também citou o aspecto cultural como forma de facilitação do crescimento do populismo. “No Brasil existe uma teoria que diz que não se deve discutir política, futebol e religião”. “Isso facilita a promoção de um comportamento passional, cego e irracional, que favorece a polarização e o apoio ao populismo e à desinformação”.

O professor Celso Lafer pontuou que “há uma erosão das práticas democráticas, que favorece a polarização e o discurso de ódio”. Para ele, a sociedade acaba ficando dividida entre o “governo das leis, do respeito à Constituição, e o governo dos homens”, em que as instituições políticas são desacreditadas e enfraquecidas”. Ele afirma que a democracia requer a confiança da sociedade nas instituições e destacou o importante papel das redes sociais nesse contexto.

Celso Lafer também destacou a importância da iniciativa da CONIB de criar, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, um Guia de Análise de Discurso de Ódio” (https://www.conib.org.br/pesquisa-da-faculdade-de-direito-da-fgv-em-parceria-com-a-conib-gera-guia-para-analise-do-discurso-de-odio/). Lafer falou sobre a responsabilidade das redes sociais, destacando a necessidade de essas plataformas adotarem regras e filtros para impedir as fake news e o negacionismo. Heni concordou com Lafer, pontuando que as redes sociais se tornaram um ambiente anárquico.