“Herói judeu”, Natan Sharansky ganha o prestigioso Prêmio Gênesis em Israel

A Fundação Genesis Prize anunciou nesta terça-feira que o vencedor do seu prêmio de US$ 1 milhão de 2020 é o ex-dissidente soviético Natan Sharansky, citando sua “longa luta em defesa dos direitos humanos”.

“O prêmio é um reconhecimento à extraordinária luta de Sharansky pelos direitos humanos, liberdade política e à sua dedicação ao povo judeu e ao Estado de Israel”, diz o anúncio, acrescentando que a cerimônia de premiação ocorrerá em Jerusalém em 18 de junho de 2020.

Sharansky se une ao filantropo Robert Kraft, à atriz Natalie Portman, ao artista Anish Kapoor, ao violinista Itzhak Perlman, ao ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg e ao ator e diretor Michael Douglas como ganhador do prêmio, que homenageia pessoas que servem de inspiração para a próxima geração de judeus através de sua extraordinária conquista profissional e compromisso com o povo judeu e com os valores judaicos.

Sharansky veio ao Brasil em 2016, quando foi homenageado na 47ª Convenção Nacional na Conib. Na ocasião, o então presidente da Agência Judaica revelou ter ficado impressionado com a relação próxima da Conib com altas autoridades federais e estaduais e também com a postura dos judeus brasileiros: “Encontrei no Brasil uma rica vida judaica, em que os judeus se sentem fortes e confiantes, ao ponto de usarem quipá nas ruas, algo que não se vê em metrópoles como Paris ou Istambul”.

Isaac Herzog, atual chefe da Agência Judaica para Israel e chefe do comitê de seleção de prêmios, chamou Sharansky de “um verdadeiro herói judeu e um ser humano extraordinário”.

Herzog sucedeu a Sharansky, que exerceu dois mandatos como chefe da agência, o maior grupo sem fins lucrativos do mundo.
O comitê do prêmio disse que, seguindo o precedente estabelecido pelos vencedores anteriores, Sharansky doaria o valor de US$ 1 milhão a organizações sem fins lucrativos.

Sharansky disse que ficou “honrado” com o prêmio e planeja usar a premiação para falar sobre o aumento do antissemitismo e contra os esforços para deslegitimar Israel.

“Tendo sido criado como judeu na União Soviética, descobri minha identidade judaica e pertencimento ao povo judeu graças a Israel”, disse ele. “Essa conexão com Israel deu a mim e a outros refuseniks (termo usado para falar dos judeus soviéticos) a força de lutar pelos direitos dos judeus, bem como de outras pessoas cujas liberdades essenciais foram negadas”.

“Hoje, quando o antissemitismo está em ascensão, tanto da esquerda política quanto da direita, a unidade do povo judeu e nossa conexão com Israel são muito importantes”, disse Sharansky. “Precisamos unir e combater o flagelo do antissemitismo e os esforços para deslegitimar Israel juntos, como um só povo”.

Sharansky, que ficou mundialmente conhecido como ‘prisioneiro de consciência’ na extinta União Soviética (URSS), conseguiu emigrar para Israel em 1986, depois de nove anos em campos de trabalho e meses de greves de fome. Um prodígio em xadrez, ele se mantinha são em confinamento solitário, exercitando o jogo em sua mente. “Joguei milhares de jogos e venci todos”, disse ele ao New York Times em 1996, ano em que também conseguiu derrotar o campeão de xadrez Gary Kasparov.

Em Israel, ele se envolveu na política que representa os milhões de judeus da antiga União Soviética que o seguiram após a queda do comunismo. Ele serviu no Knesset e em várias funções ministeriais. Mais recentemente, ele representou o partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em 2006, antes de assumir a Agência Judaica.

Os esforços recentes de Sharansky incluem tentar garantir um compromisso para a criação de local igualitário no Muro das Lamentações e pedir um maior reconhecimento pelo rabino-chefe israelense das conversões feitas por rabinos fora do Estado judeu.

Sharansky delineou suas experiências e ideias em três livros que deixaram sua marca. “Fear No Evil”, seu livro de memórias da luta pela emigração judaica soviética, seu trabalho com direitos humanos ao lado de Andrei Sakharov e sua sobrevivência nos campos de prisioneiros, tornou-se um best-seller internacional. “The Case for Democracy”, onde ele expõe uma filosofia diplomática obtida de sua íntima compreensão do totalitarismo, foi citado por vários líderes mundiais. Em “Defending Identity”, ele explora as tensões entre política e cultura que saltaram para a vanguarda da política europeia.