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Homenageado com o título de presidente de honra da Câmara Brasil-Israel, Jayme Blay destaca a importância de se estimular as novas lideranças

Em entrevista concedida à CONIB após ter sido homenageado com o título de presidente de honra da Câmara Brasil-Israel, Jayme Blay falou sobre as suas atribuições na nova função, sua experiência à frente de diversas instituições judaicas, como combater o antissemitismo e a importância de se estimular as novas lideranças.  

Você foi agraciado como presidente de honra da Câmara Brasil-Israel. Como vê essa escolha e quais as suas atribuições nessa função? 

JB: A escolha foi extremamente lisonjeira, generosa e deixou-me muito feliz. O trabalho voluntário, com este reconhecimento, é muito valorizado e se transforma numa mola propulsora que incentiva mais pessoas a se engajarem no trabalho por esta causa nobre. O relacionamento comercial e intelectual entre Brasil e Israel é de extrema importância para os dois países, que têm economias complementares, sem qualquer tipo de competição. Nesta nova função pretendo continuar colaborando com a Câmara Brasil-Israel, onde e quando for requisitado. É um trabalho que gosto de fazer, e que traz frutos recompensadores.

Você já foi presidente de diversas instituições judaicas. Qual a atuação que mais lhe marcou e por que? 

JB: Em cada uma das entidades onde atuei a experiência foi excelente, agregando uma enorme gama de conhecimentos. Ampliei de modo exponencial o círculo de relacionamentos e isto permitiu com que o trabalho desenvolvido tivesse resultados significativos para as entidades. Não é preciso reiterar que o sucesso na direção de qualquer entidade se baseia num trabalho de equipe e isto foi atingido com plenitude. Tenho orgulho e satisfação de ter podido contar com a colaboração de pessoas altamente qualificadas, todas unidas pelo mesmo ideal.

Como vê o crescimento do antissemitismo no Brasil e no mundo e quais iniciativas sugere como forma de combater esse problema?

JB: O tema do antissemitismo é multifacetado e demanda abordagens independentes para cada situação. Existe o componente político, onde a disseminação do  antissemitismo se torna uma arma a serviço de governos hostis a Israel e também contribuindo com atividades de grupos terroristas, o que demanda uma atuação a nível internacional, visando coibir esta prática. Ações tem sido tomadas a este respeito e a mais recente delas foi a da Organização dos Estados Americanos ao nomear um Comissário para monitoramento e combate ao antissemitismo. Já no tocante ao antissemitismo endêmico, e que tem profundas raízes sociais, a melhor forma de combatê-lo é a permanente vigília sobre as manifestações que ocorrem em publicações e redes sociais, denunciando junto às autoridades locais o crime de propagação de ódio racial. Como complemento, deve haver uma informação clara e objetiva contestando de forma veemente as inverdades enunciadas pelos antissemitas de plantão. E isto deve ocorrer em várias camadas da população, em especial junto a formadores de opinião, universidades, lideranças religiosas etc.

Qual a importância das novas lideranças e como estimulá-las?

JB: Os jovens devem ser informados a respeito dos múltiplos benefícios colhidos na prática do trabalho comunitário. Além de propiciar um manancial de conhecimentos a respeito de direção de entidades com a vivência cotidiana com seus problemas, o espírito do trabalho desenvolvido em equipe é de crucial importância para as habilidades requeridas de profissionais, hoje em dia. Desta forma, as entidades ganham com a injeção de sangue novo e renovação de quadros, e os jovens adquirem uma experiência valiosa para suas carreiras. É um jogo de ‘ganha-ganha’, como se usa dizer. E a criação de um excelente network para os jovens é outro valioso benefício propiciado pelo trabalho comunitário!

Blay, que atualmente é sócio-gerente da JBY Participações Ltda, uma holding de empresas familiares, começou seu trabalho comunitário muito cedo, participando de movimentos juvenis e presidindo o Grupo Universitário Hebraico de São Paulo em meados dos anos 60, chegou inclusive a participar de um encontro com o então Primeiro-Ministro e fundador do Estado de Israel, David Ben Gurion, em 1962. Ocupou a Presidência de diversas entidades, como a Congregação Israelita Paulista (CIP), a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e a Câmara Brasil Israel de Comércio e Indústria onde atualmente ocupa a posição de Conselheiro. Jayme Blay também atuou como conselheiro de diversas entidades como o Conselho Mundial de Sinagogas, foi membro do Board of Governors da Universidade Hebraica de Jerusalém, e atualmente é conselheiro da Alumni Association, do Brazilian Technion Society e do Belfer Institute, órgão do AJC American Jewish Committee.