Horas antes do início do Ano Novo, Israel impõe o segundo bloqueio para conter avanço da Covid-19

O novo bloqueio nacional de Israel – o segundo neste ano – para conter o avanço do coronavírus entrou em vigor nesta sexta-feira às 14h (hora local), momentos antes do início do Rosh Hashaná (Ano Novo judaico) e deve se estender por três semanas.

A bloqueio prevê o fechamento de muitos negócios e estabelece limites estritos de deslocamentos das pessoas e reuniões públicas,.

Cerca de 7.000 policiais e soldados, apoiados por funcionários locais das municipalidades, foram mobilizados para fazer cumprir o bloqueio, com o monitoramento de ruas e estradas, em meio a preocupações de que, desta vez, os israelenses, cansados com as novas medidas, sejam menos cooperativos com as forças de segurança do que durante o onda inicial da pandemia.

As multas para quem quebrar as regras foram fixadas em NIS 500 e para empresas em NIS 5.000.

O novo bloqueio é mais flexível e mais complexo que o anterior, com várias determinações e exceções previstas que parecem causar confusão sobre que é ou não permitido.

Erez Berenbaum, diretor do hospital Assuta na cidade costeira de Ashdod, disse que “a falta de clareza nas instruções será um desafio para os israelenses”.

Sob o novo bloqueio, quase todos os negócios abertos ao público serão fechados. As pessoas podem sair até uma distância de 1 quilômetro de casa, mas há várias exceções, incluindo comprar comida ou remédios, se dirigir ao trabalho, participar de protestos e até mesmo buscar cuidados essenciais para animais de estimação. O público também pode assistir a funerais e a cerimônias de circuncisão, fazer exercícios ao ar livre e muito mais – tudo sob estritas limitações.

Na véspera do bloqueio, as autoridades ainda estavam decidindo sobre uma regra que determinava que os moradores não deveriam se deslocar a mais de 500 metros de suas casas. A medida foi estendida na noite desta quinta-feira para um quilômetro. Durante o primeiro bloqueio, o limite foi de 100 metros.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o governo não teve escolha a não ser impor um bloqueio.

“O sistema de saúde levantou a bandeira vermelha. Fizemos tudo que podíamos para encontrar um equilíbrio entre as necessidades de saúde e as necessidades da economia”, disse ele em declarações transmitidas pela televisão nesta quinta-feira.

Embora o governo tenha sido elogiado por seu tratamento inicial da pandemia, implementando um bloqueio estrito em março, muitos israelenses manifestaram descontentamento com a forma como a crise foi conduzida nos meses seguintes.

“Isso não é maneira de fechar um país”, dizia uma manchete do jornal Yedioth Ahronoth nesta sexta-feira, que apresentava entrevistas com médicos, economistas e professores contrários ao bloqueio.

Antes do início do bloqueio, o Ministério da Saúde divulgou dados mostrando que as taxas de infecção permaneceram altas para o tamanho da população de Israel, com 5.238 casos identificados na quinta-feira – mantendo o país perto do topo da lista global de infecções diárias per capita.

O número é muito superior aos 1.000 casos diários que o Ministério da Saúde almeja chegar antes de considerar a suspensão de algumas das novas medidas.

Netanyahu alertou para a possibilidade “não haver outra escolha a não ser endurecer ainda mais as restrições”.

Ele fez um apelo à população: “Usem máscaras e evitem reuniões”. “Quanto mais isso for seguido, menos haverá a necessidade de medidas rigorosas”, disse Netanyahu. “Essas duas etapas são mais importantes do que quaisquer outras medidas que impomos”.