Impasse na formação de governo pode levar Israel a nova eleição em setembro

O Knesset (Parlamento) aprovou nesta segunda-feira (27) em primeira leitura a sua própria dissolução e a convocação de novas eleições para 17 de setembro, embora essa data ainda possa mudar. A Casa, porém, terá que confirmar essa medida em nova votação amanhã (29), data limite para o premier Benjamin Netanyahu formar o novo governo – ele segue no cargo até a situação ser resolvida.

Apesar de o premiê e seus aliados terem conquistado a maioria das vagas no Parlamento na votação de 9 de abril, até o momento ele não conseguiu formar um governo devido a um desentendimento entre duas siglas menores.

O problema para Netanyahu é que duas das siglas com as quais ele precisa negociar, a Judaísmo da Torá (ultraortodoxa com oito cadeiras no Parlamento) e a Yisrael Beytenu (direita radical, cinco cadeiras) não conseguem se entender.

O líder do Yisrael Beytenu, Avigdor Lieberman (ex-ministro da Defesa de Netanyahu), exige o fim da dispensa de serviço militar para jovens religiosos ultraortodoxos, o que o Judaísmo da Torá não aceita.

Até ontem, as negociações entre Netanyahu e Liberman, não avançaram.

Enquanto Netanyahu prefere convocar uma nova eleição se não conseguir formar uma coalizão, os partidos da oposição preferem que o presidente faça um acordo para formar um governo.

Isso levou à estranha situação de legisladores de direita votando por novas eleições, semanas depois de terem declarado triunfalmente a sua vitória na votação de 9 de abril, enquanto os legisladores da oposição, derrotados, votaram para manter o Parlamento intacto.

Realizar duas eleições em um intervalo tão curto seria sem precedentes em Israel, e há preocupações com relação ao custo e à paralisia política prolongada como resultados.

Lieberman estaria trabalhando para impedir a formação da coalizão porque acha que seu partido pode crescer em uma nova eleição, permitindo que ele próprio assuma como premiê.

No final da manhã de hoje, o Likud aprovou uma fusão com o Kulano, de Moshe Kahlon, marcando para a tarde uma nova reunião na tentativa de evitar novas eleições.