Irã admite buscar armas nucleares se sanções não forem suspensas

O ministro da Inteligência do Irã, Mahmoud Alavi, alertou que seu país poderia desenvolver armas nucleares se as sanções internacionais contra Teerã permanecerem em vigor.

“Nosso programa nuclear é pacífico e a fatwa (lei) do líder supremo proibiu as armas nucleares, mas se eles (os países ocidentais) empurrarem o Irã nessa direção, não será culpa do Irã, mas daqueles que o empurraram”, disse Alavi em declarações à televisão estatal iraniana.

As declarações de Alavi marcam uma rara ocasião em que um alto funcionário do governo admite que o Irã poderia avançar em direção às armas nucleares.

Uma fatwa da década de 1990, ou decreto religioso, do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, declarou que as armas nucleares são proibidas.

“Se um gato está encurralado, ele pode mostrar um tipo de comportamento que um gato livre não teria”, disse Alavi. Ele acrescentou que o Irã não tem planos de avançar em direção a uma arma nuclear nas atuais circunstâncias.

No mês passado, um ex-diplomata iraniano disse que se Israel ou os EUA tomarem medidas “perigosas”, Khamenei pode reverter a determinação que proíbe a aquisição, o desenvolvimento ou o uso de armas nucleares.

O líder supremo de 81 anos, que tem a palavra final em todas as questões de Estado no Irã, instou os Estados Unidos no domingo a suspender todas as sanções se quiser que o Irã cumpra os compromissos de seu acordo nuclear de 2015 com as grandes potências mundiais. No entanto, o presidente Joe Biden disse que os EUA não darão o primeiro passo.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse na semana passada que o Irã está a meses de ser capaz de produzir material suficiente para construir uma arma nuclear. E, disse ele, esse prazo pode ser reduzido para “uma questão de semanas” se Teerã violar ainda mais as restrições que concordou no acordo nuclear de 2015 com potências mundiais.

Após o assassinato em dezembro passado de um cientista iraniano responsável por liderar o programa nuclear militar do país, o Parlamento iraniano aprovou uma lei para bloquear a visita de inspetores nucleares internacionais ao país ainda neste mês -uma grave violação do acordo.

Alavi, o ministro da inteligência, também foi citado como tendo dito que um membro das forças armadas iranianas “facilitou” o assassinato do cientista, que o Irã atribuiu a Israel.

No fim de semana, o Wall Street Journal afirmou que inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontraram vestígios de material radioativo em instalações nucleares iranianas que podem indicar atividade com armas nucleares, de acordo com relatório da agência.

Diplomatas disseram ao jornal que os materiais foram encontrados em locais aos quais Teerã bloqueou o acesso no ano passado.

O Irã negou à agência o acesso aos locais no ano passado, o que levou o conselho de inspetores da AIEA a aprovar uma resolução em junho instando o Irã a cumprir seus compromissos.

Um dos locais relatados seria Abadeh, ao sul de Isfahan – local onde teria sido construída uma usina nuclear secreta, segundo revelou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em setembro de 2019.

Foto: AP Photo/Vahid Salemi, File