Irã pode estar se preparando para enfrentar Israel na Síria via Hezbollah

O Irã não aceitará mais ataques israelenses a seus depósitos de armas na Síria e pode estar se preparando para um confronto com Israel em território sírio através do Hezbollah. A avaliação foi feita pelo jornalista veterano Elijah Magnier em artigo publicado no site Medium.

Citando fontes “privadas”, Magnier afirma que o Irã está reavaliando “os locais das instalações de seus conselheiros (na Síria), não para uma retirada, mas para encontrar bases dentro do quartel do exército sírio. O Hezbollah assumiu as instalações iranianas que estão desocupadas na Síria. E a Rússia foi informada da mudança para que a informação chegasse a Israel”, diz o jornalista.

Em meados de maio, surgiram relatos de que o Irã poderia estar retirando algumas de suas forças da Síria, estimadas em cerca de 1.000 membros do IRGC. Mas analistas e autoridades americanas rejeitaram essa avaliação na época.

O artigo de Magnier, de 6 de junho, fornece outra visão do que pode estar acontecendo: “O Irã não vai mais aceitar ataques israelenses em seus depósitos (na Síria) sem nenhuma resposta”.

Um ataque aéreo matou nove forças apoiadas pelo Irã na Síria, informou a Rádio Farda no fim de semana. A informação também relata sobre explosões perto de Masyaf, uma instalação do regime sírio e iraniano que foi atingida por ataques aéreos no passado. Esse ataque aéreo pode ter ocorrido em 4 de junho.

Outro ataque aéreo, atribuído a Israel, foi relatado durante a noite de 7 de junho pela manhã. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos disse que cerca de oito foguetes disparados por “drones não identificados” atingiram uma área próxima a Deir Ezzor. Os alvos eram milícias xiitas afegãs e iraquianas na “base do Meizileh”, disseram relatórios.

O Irã vem transferindo seus conselheiros, que Magnier diz que somam algumas centenas, para as bases do regime sírio. Isso os protegeria, porque os ataques aéreos teriam menos probabilidade de atingi-los nesses locais. Se houvesse ataques aéreos, o regime sírio responderia e isso “provavelmente arrastaria os EUA para a batalha em apoio a seu aliado Israel e teria um impacto nas próximas eleições”, escreveu Magnier.

A Rússia desempenha um papel fundamental porque está em coordenação com Israel, escreveu ele, acrescentando: “Foi acordado entre Israel e Rússia que Moscou e a base aérea da Rússia em Khmeimim seriam informados dos detalhes de qualquer ataque”. A Rússia interpreta um papel de intermediário nesse cenário, e não faz parte do “eixo de resistência” do Irã, mas diz a seus aliados do regime sírio o que está acontecendo.

“A Rússia informou os líderes israelenses dessa decisão do Irã de transferir seus funcionários na Síria para unidades do exército sírio”, escreveu Magnier. “A Rússia alertou Israel para não atacar o exército sírio em nenhuma circunstância e informou p país de que as bases iranianas foram entregues ao Hezbollah”.

As unidades de operações especiais do Hezbollah, Radwan (Al-Ridwan), não perderam uma batalha na Síria, escreveu ele. No entanto, a unidade sofreu um revés nas mãos da Turquia em Idlib em fevereiro e março, informou o Jerusalem Post em 21 de maio.

Além disso, segundo afirma Magnier, o Hezbollah não perdoa a morte de seus combatentes. “Os drones de Israel garantem que esses locais estejam livres de conselheiros iranianos e que o aviso russo chegue aos interessados em retirar o pessoal humano”. “Israel segue a mesma prática quando ataca carros ou comboios do Hezbollah, alertando motoristas e passageiros com antecedência para deixaram os veículos”.

Mas depois de um incidente em Beirute, em agosto de 2019, envolvendo drones, o Hezbollah tentou retaliar e quer mostrar que tem poder de intimidação. O Hezbollah armazenou mísseis de precisão e “drones, mísseis subsônicos de longo alcance e outras munições para para serem usados em apoio a eventual ataque terrestre, afirma Magnier. “O Hezbollah acredita ter um impedimento com ‘novas regras de envolvimento’ que protegem seus homens na Síria. No entanto, as guerras podem começar com um simples erro”, conclui o jornalista.