Irã sofrerá um ‘golpe esmagador’ se atacar Israel, alerta Netanyahu

Em coletiva de imprensa concedida hoje ao lado do embaixador americano em Israel, David Friedman, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu advertiu o Irã de que o país sofrerá “um golpe esmagador” se atacar Israel.

“Estamos firmes, com determinação e força, contra aqueles que procuram nos matar. Quem nos atacar sofrerá um golpe esmagador”, declarou Netanyahu.

“Qassem Suleimani foi responsável pela morte de muitos inocentes”, disse Netanyahu. “Ele desestabilizou muitos países por décadas, semeou medo, miséria e angústia. E estava planejando algo muito pior. O presidente Trump deve ser parabenizado por ter agido com rapidez, coragem e determinação contra esse terrorista-chefe, que foi o arquiteto da campanha de terror do Irã no Oriente Médio e no mundo”, acrescentou.

“Muitos líderes do Oriente Médio concordam com ele”, disse o primeiro-ministro. “A região está dividida entre islamitas radicais e as forças moderadas que estão combatendo”, continuou. “Israel é a âncora estável nessas águas turbulentas”.

Netanyahu também reiterou o total apoio de Israel aos Estados Unidos em seu atual confronto militar com a República Islâmica.

“É muito importante dizer que Israel está completamente ao lado dos Estados Unidos”, acrescentou. “Os EUA não têm melhor amigo que Israel, e Israel não tem melhor amigo que os EUA”.

O embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, falou brevemente sobre o ataque iraniano a uma base americana no Iraque, na noite desta terça. “Estamos todos acompanhando de perto os eventos na região”, disse ele na conferência no Begin Center, em Jerusalém, organizada pelo think tank do Fórum Kohelet. “As avaliações iniciais são positivas”, disse ele. “Nossas forças armadas são de longe as mais fortes do mundo e nossa causa é justa”, acrescentou Friedman. “Oramos a Deus para que prevaleçamos nesse conflito”.

Um comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou que Tel Aviv também poderia ser alvo, enquanto um ex-chefe militar iraniano ameaçou transformar as cidades israelenses “em pó” se os EUA atacarem alvos no Irã.

Ainda assim, na segunda-feira, oficiais de segurança israelenses disseram ao gabinete de defesa que é improvável que o Irã ataque Israel em retaliação à ação dos EUA que matou Suleimani no Iraque.

De acordo com várias autoridades presentes à reunião do gabinete e em declarações à mídia hebraica, vários cenários foram apresentados sobre a possível resposta iraniana ao ataque, com oficiais de segurança dizendo que as chances de o Irã atacar Israel são baixas. “Israel não esteve envolvido no assassinato e não há razão para ser arrastado”, disse um alto oficial.

Também nesta segunda-feira (6), nos primeiros comentários públicos de um alto oficial militar israelense sobre o assassinato de Suleimani, o major-general Herzi Halevi, chefe do Comando Sul das IDFs, disse que o episódio faz parte do conflito entre o Irã e os EUA por busca de influência no Iraque. “Suleimani feriu os interesses americanos e representou um perigo significativo para os americanos na região. Devemos considerar o assassinato como parte de uma luta entre o Irã e os Estados Unidos por influência no Iraque. Essa é a história”, disse Halevi.

“O assassinato também tem ramificações para nós, como israelenses, e devemos acompanhar os desdobramentos de perto, mas não somos os atores principais – e é bom que isso tenha acontecido muito longe daqui”, disse ele.

Halevi disse que Israel está pronto para lançar uma “resposta significativa” se a retaliação da República Islâmica incluir operações de seus aliados palestinos, como a Jihad Islâmica Palestina, com sede em Gaza.

A embaixada dos EUA em Israel, no entanto, divulgou um comunicado recomendando cautela a seus cidadãos em Israel, e que evitem ir à Cisjordânia e Gaza, alertando para a possibilidade de haver disparos de foguetes no país.

Um dos principais think tanks de segurança nacional de Israel alertou na segunda-feira que há um risco crescente de guerra em larga escala ao longo das fronteiras do norte de Israel no próximo ano, em parte devido à crescente “determinação e ousadia” do Irã.