Iranianos driblam as forças de segurança, fazem novos protestos e colocam líderes sob pressão após derrubada de avião

Manifestantes iranianos driblaram as forças de segurança e voltaram às ruas neste domingo (12) para pedir a renúncia do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, em protesto contra a derrubada do avião da Ukraine Airlines na semana passada que causou a morte de 176 pessoas. A polícia havia montado uma grande operação para reprimir os novos protestos, cercando as principais universidades da capital, todas localizadas na região central. A partir do meio da tarde, no entanto, diversos links no Telegram – aplicativo de trocas de mensagem mais usado no Irã – chamaram para a nova manifestação, dessa vez na Praça Azadi (Liberdade), no Oeste de Teerã.

Centenas de pessoas compareceram nesse novo ato, que começou por volta das 18h, no horário local (12h30, no horário de Brasília).
Novamente,as palavras de ordem foram contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e a Guarda Revolucionária do Irã.

Vídeos postados nas redes sociais mostram que a polícia e as forças de segurança reprimiram com tiros e bombas de gás lacrimogêneo as manifestações que se espalharam para outras cidades iranianas. Há registro de pessoas nas ruas cantando slogans contra o regime em Shiraz, Isfahã e Sanandaj e policiais reprimindo com violência as manifestações (veja).

Na tentativa de evitar uma repetição dos eventos de sábado, as forças de segurança iranianas montaram uma grande operação para reprimir novos protestos dos estudantes universitários. Centenas de policiais – regulares e tropas especiais – se posicionaram neste domingo em diversos pontos do centro de Teerã. A maioria deles se concentrou em torno das principais universidades da capital.
A reportagem de O Globo circulou na tarde deste domingo – dia útil no Irã – pela região central de Teerã e viu grupos de cerca de dez policiais nas esquinas de todas as saídas da Universidade de Tecnologia Amir Kabir. A maior parte deles porta cassetetes e escudos, mas alguns estão armados com fuzis. Alunos dessa instituição realizaram ontem o maior protesto contra o governo, após uma tarde de vigília em memória dos 176 mortos na queda do avião da Ukraine Airlines, abatido por engano por um míssil da Guarda Revolucionária do Irã.