Israel, ADL e Conib denunciam surto de antissemitismo associado ao COVID-19

Um relatório do Ministério de Assuntos Estratégicos de Israel revelou um surto de antissemitismo que surgiu junto com a pandemia de coronavírus, em que retóricas antissemitas clássicas estão sendo usadas por organizações e líderes anti-Israel para culpar os judeus pelo COVID-19.

O relatório citou vários exemplos de teorias antissemitas na mídia social e noticiosa, baseadas na pandemia de coronavírus e destacou que a crise global estava fornecendo “terreno fértil” ao antissemitismo.

Relatórios da Liga Anti-Difamação (ADL) e de outras organizações demonstraram que líderes da extrema-direita e da supremacia branca também estão usando a pandemia para incitar o antissemitismo.

No Brasil, há páginas no Facebook com teorias da conspiração relacionando os judeus à atual pandemia. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) já denunciou casos e está tomando medidas judiciais contra os autores.

“O antissemitismo se transforma com o tempo, como um vírus mutante. Hoje usa a pandemia para justificar suas teorias. É apenas uma roupagem nova para fundamentar antigos argumentos discriminatórios contra o povo judeu e contra Israel”, disse o presidente da Conib, Fernando Lottenberg.

Entre os exemplos citados no relatório do Ministério de Assuntos Estratégicos, há um artigo de Kevin Barrett na Press TV, uma agência internacional de propaganda financiada pelo Irã, na qual ele acusa Israel de ter “manipulado” o coronavírus e de tentar””amplifica” o surto da doença no Irã.

O relatório também citou uma declaração do líder do Partido Refah na Turquia, Fatih Erbakan, que disse, em 6 de março, que a pandemia “serve aos objetivos do sionismo de reduzir o número de pessoas e impedir que ele cresça”.

O ministério também apontou para um relatório da CRIF – a organização da comunidade judaica francesa -, que também relatou vários exemplos de antissemitismo no contexto do surto.

O relatório da CRIF citou o político do National Rally Alain Mondino, que compartilhou um vídeo intitulado “Coronavirus for Goy” em uma rede social russa acusando judeus de desenvolver o coronavírus com o objetivo de “estabelecer sua supremacia”.

A ADL também conduziu uma pesquisa destacando temas antissemitas em torno da crise, dizendo que houve “um aumento nas mensagens de que judeus e/ou Israel fabricaram ou espalharam o coronavírus para avançar em seu objetivo de controlar o mundo”.

A ADL apontou para uma imagem compartilhada na rede social Telegram no início deste mês, mostrando um cavalo de Tróia cuja cabeça era uma célula de coronavírus e carregava dentro de uma caricatura antissemita de um judeu ao lado de uma imagem de um globo.

Em janeiro, o supremacista branco e ex-candidato ao Congresso Paul Nehlen disse que Israel “lançou uma arma biológica” contra a China, com o objetivo de mostrar “quem controla o seu destino”. E ainda perguntou: “Você vai deixar esses judeus vingativos escaparem com isso?”.

O ex-delegado do Condado de Milwaukee, David Clarke, Jr. acusou o investidor e bilionário judeu George Soros de estar por trás do surto, enquanto grupos e líderes supremacistas de extrema-direita compartilharam mensagens e imagens acusando judeus de serem responsáveis pela pandemia.

Na mesma linha, essas pessoas acusaram os judeus de procurar lucrar com o coronavírus vendendo vacinas para a doença, cobrando taxas extras e limitando sua disponibilidade.