Israel aprova lockdown quase total para conter o avanço da Covid-19

Os ministros aprovaram nesta quinta-feira um lockdown quase total em todo o país, em meio a temores de que a taxa de infecção por Covid-19 esteja saindo de controle.

As novas restrições surgem uma semana após o início do atual bloqueio e depois que as novas infecções diárias confirmadas se aproximaram de 7.000 nesta quarta-feira, pelo segundo dia consecutivo.

A partir desta sexta-feira às 14h, quase todos os negócios estarão fechados, com exceção de empresas e fábricas designadas como “essenciais” pela Autoridade Nacional de Emergência do Ministério da Defesa. A decisão, aprovada ontem pelo gabinete de crise do coronavírus e por todos os ministros, isentou supermercados e farmácias do fechamento e permitiu que os restaurantes trabalhassem apenas com entrega em domicílio.

As orações de Iom Kipur que começam no domingo à noite acontecerão quase inteiramente ao ar livre, com grupos de até 10 fiéis autorizados a orar dentro das sinagogas, de acordo com as novas medidas. A paralisação também cobrirá todo o feriado de Sucot.

A temporada de festas é parte da razão pela qual o governo está impondo o bloqueio agora, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta quarta-feira. Visto que a maioria dos israelenses, em qualquer caso, não trabalha durante os feriados, o dano econômico da paralisação seria reduzido, pois menos dias de trabalho seriam perdidos.

“Estamos indo para uma paralisação de qualquer maneira por causa da taxa de mortalidade”, disse Netanyahu em declarações divulgadas em vídeo na noite de ontem. “Portanto, é melhor fazer isso agora, durante os feriados, a um custo econômico baixo, e não depois, quando o custo econômico será maior”;

Quase todo o transporte público será fechado, assim como as últimas instituições de ensino ainda abertas – principalmente programas de educação especial e pré-escolas particulares.

Os israelenses não terão permissão para viajar mais de um quilômetro de suas casas. A polícia fará bloqueios em rodovias e entradas de cidades e vilas para garantir que os israelenses não tentem viajar durante os feriados.

O governo informou que funcionários do Ministério das Finanças, Gabinete do primeiro-ministro e Conselho de Segurança Nacional se reunirão para definir as regras básicas pelas quais agências governamentais serão fechadas e quais permanecerão abertas, e em que capacidades.

O gabinete também está considerando fechar o Aeroporto Ben Gurion para voos de saída, mas a decisão não foi incluída nas novas medidas.

As novas regras surgem depois de um dia de debates acirrados no gabinete sobre a permissão ou não de protestos antigovernamentais durante o bloqueio, com o partido Azul e Branco insistindo que um governo não pode ordenar a suspensão dos protestos. Os ministros também discutiram sobre o quanto seriam restringidas as reuniões de oração, com os partidos Haredi Shas e o Judaísmo da Torá Unida pressionando para deixar as sinagogas abertas, mesmo que novos limites no número de fiéis sejam impostos.

Sob um acordo final, as sinagogas serão fechadas a partir de sexta-feira, abertas em uma capacidade limitada pelas 25 horas do feriado de Iom Kipur, e fechadas novamente na noite de segunda-feira. Um acordo semelhante foi alcançado sobre os protestos: os manifestantes podem se reunir a um quilômetro de suas casas, tanto para orações quanto para manifestações anti-governo e as reuniões ao ar livre podem incluir no máximo 20 pessoas por vez, que devem ficar a dois metros de distância umas das outras.

Um acordo especial foi alcançado permitindo a continuação dos protestos em frente à residência do primeiro-ministro na rua Balfour em Jerusalém, onde os manifestantes se reuniram regularmente durante meses para pedir a renúncia de Netanyahu.

O acordo foi alcançado após um telefonema na noite desta quarta-feira entre Netanyahu e o ministro da Defesa Benny Gantz, que hoje está viajando de volta a Israel após visita aos Estados Unidos.

Uma equipe da polícia, do Ministério da Saúde e da procuradoria geral desenvolveu uma estrutura que permite que até 2.000 manifestantes participem das manifestações da Rua Balfour. Tal como acontece com reuniões de oração e protestos em outras partes do país, eles serão divididos em “cápsulas” de 20 pessoas que devem ficar a dois metros de distância umas das outras. Todos os manifestantes em Balfour devem morar a menos de um quilômetro do local no centro de Jerusalém.