Israel começa a vacinar palestinos de Jerusalém Oriental que vivem além da barreira de segurança

Israel começou a vacinar nesta terça-feira palestinos em Jerusalém Oriental que têm cartão de residência israelense, mas vivem além da barreira de segurança que atravessa a metade oriental da cidade.

As vacinações foram realizadas por paramédicos Magen David Adom (MDA) no cruzamento de Qalandiya.

Dezenas de milhares vivem além da barreira que cerca Jerusalém, fato que alguns especialistas em saúde sugeriram que poderia tornar mais difícil para eles o acesso à vacina.

O MDA aparentemente optou por colocar o posto de vacinação na travessia de modo a aumentar o acesso à vacina para aqueles que vivem além da barreira.

A campanha de vacinação foi coordenada com o Ministério da Saúde e o Comando Central do exército israelense. Nesta terça-feira funcionará das 10h00 às 20h00.

Israel também começou a fornecer vacinas aos 122.000 palestinos da Cisjordânia que trabalham em Israel. Alguns palestinos que trabalham no setor de saúde já foram vacinados, mas são uma pequena minoria; a esmagadora maioria dos trabalhadores está empregada na construção civil ou na agricultura.

Especialistas em saúde os apontaram como uma fonte potencial de infecção, já que muitos cruzam a Linha Verde diariamente.

Israel ofereceu vacinas a todos os seus cidadãos, judeus e árabes, além dos residentes palestinos de Jerusalém Oriental. Um intenso debate durou várias semanas sobre se Israel é o responsável pelo fornecimento de vacinas aos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Nos últimos dias, Israel transferiu vários milhares de doses a Ramallah para a Autoridade Palestina vacinar a equipe médica. Mas os críticos culparam o Estado judeu por não vacinar os cerca de cinco milhões de palestinos que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Os críticos da política de vacinação de Israel apontam para a Quarta Convenção de Genebra, que afirma que uma potência ocupante é obrigada a fornecer vacinas aos habitantes dos territórios sob seu controle.

Israel rejeita a alegação de que ocupa a Cisjordânia, dizendo que os territórios que governa desde 1967 são “disputados”, em vez de ocupados. O país também observa que saiu de Gaza, embora mantenha um bloqueio sobre o território, que diz ser necessário para a segurança; o grupo terrorista Hamas, que governa Gaza, está comprometido com a destruição do estado judeu.

O governo aponta para os Acordos de Oslo de 1995, que estipulam que a Autoridade Palestina é responsável pelos palestinos que vivem na Cisjordânia e em Gaza, e que os dois lados devem trabalhar juntos para combater epidemias.

Foto: AHMAD GHARABLI / AFP