Israel considera “antissemita e preconceituosa” lista da ONU que identifica empresas israelenses ligadas a assentamentos

Autoridades israelenses classificaram como “antissemita e preconceituosa” uma “lista negra” divulgada nesta quarta-feira (12) pela ONU e que identifica 112 empresas que operam em assentamentos israelenses ‘ilegais’ na Cisjordânia. As autoridades consideraram que a lista da ONU pode ser usada para promover um boicote em larga escala contra Israel.

“Isso lembra períodos sombrios da nossa história”, disse o presidente Reuven Rivlin.

“Vamos contestar isso com toda a nossa força”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em entrevista à Rádio do Exército. “Ganharemos reconhecimento de nossa soberania sobre essas comunidades e isso cancelará seu efeito”, disse ele.

A lista, que contém os nomes de 112 empresas – 94 israelenses e 18 estrangeiras, incluindo Airbnb, TripAdvisor, Booking.com e Motorola Solutions – foi publicada pelo escritório de direitos humanos das Nações Unidas atendendo a uma resolução de 2016 que propôs a criação de um “banco de dados para todas as empresas envolvidas em atividades específicas relacionadas a assentamentos israelenses no território palestino sob ocupação”.

Além da presença de várias grandes empresas internacionais, a maioria das companhias citadas na lista é israelense, incluindo todos os principais bancos, empresas estatais de transporte Egged e Israel Railways Corporation e os gigantes de telecomunicações Bezeq, HOT e Cellcom. A lista também inclui empresas de médio porte, como a cadeia de restaurantes Café Café e padarias Angel.

O escritório de direitos das Nações Unidas disse que a iniciativa “não é e não pretende ser transformada em processo judicial ou algo parecido”.

“Estou ciente de que esse assunto foi e continuará sendo uma questão controversa”, disse em comunicado a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ao enfatizar que o relatório se “baseia em fatos”. Segundo Bachelet, o documento “reflete a séria atenção que foi dada” a esse “trabalho sem precedentes e particularmente complexo”. Mais de 300 empresas foram analisadas, informou a alta comissária.

Mas autoridades israelenses expressaram preocupação de que a lista da ONU possa ser usada como justificativa para um boicote em larga escala ao setor privado do país. As autoridades também questionaram mais amplamente a legitimidade do próprio Conselho de Direitos Humanos.

Israel é o único país com um item de agenda fixo no Conselho, o que significa que o Estado judeu é pauta permanente discutida em cada sessão.

Os Estados Unidos, que não consideram mais ilegais os assentamentos, se retiraram do conselho, em parte devido ao tratamento dado a Israel.

A lista constitui “uma rendição vergonhosa à pressão de países e organizações que querem prejudicar Israel”, disse o ministro das Relações Exteriores Israel Katz em comunicado, acrescentando que vários países manifestaram preocupação com a iniciativa da ONU.

“A decisão da ONU de manter a linha anti-Israel do Conselho de Direitos Humanos é uma mancha no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos”, disse Katz. “A comissária falhou em manter a honra da ONU. Esta decisão terá consequências para nossas relações com o conselho”, acrescentou.

Durante um evento em sua residência oficial em Jerusalém, o presidente Rivlin saudou as empresas israelenses incluídas na lista como “patriotas”, acrescentando: “Tenho orgulho de dar a essas empresas uma plataforma. Embora não promovamos empresas privadas aqui nesta casa, quando empresas israelenses estão sob a ameaça de boicote, vamos apoiá-las”.

“Boicotar empresas israelenses não promove a causa da paz e não cria confiança entre os lados. Apelamos aos nossos amigos em todo o mundo para se manifestarem contra essa iniciativa vergonhosa, que lembra períodos sombrios da nossa história”, acrescentou Rivlin.
O líder do Partido Azul e Branco Benny Gantz, considerou esta quarta-feira “um dia sombrio para os direitos humanos”. Em mensagem no Twitter, ele afirmou que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos havia “perdido contato com a realidade”.

Os líderes dos assentamentos também criticaram a lista, com o Conselho Yesha – grupo que representa os assentamentos -, afirmando que a iniciativa tem “claras características antissemitas” e que sua divulgação provou que a ONU é “um organismo tendencioso e parcial que age contra o Estado de Israel”.

“Outra decisão vergonhosa do Conselho de Direitos Humanos, que prova mais uma vez o consistente antissemitismo da ONU e o ódio a Israel”, disse o ministro de Assuntos Estratégicos Gilad Erdan, encarregado de combater a campanha de boicote e iniciativas de deslegitimação de Israel.