Israel considera essencial a proibição do enriquecimento de urânio para um novo acordo nuclear com o Irã

A Inteligência Militar israelense acredita que um novo acordo nuclear que impeça o Irã de enriquecer urânio até o nível de 90 por cento – necessário para a produção de uma arma nuclear – aliviaria algumas das principais preocupações de Jerusalém, segundo informou o Times of Israel.

Esta posição, apresentada como parte da avaliação anual de inteligência das Forças de Defesa de Israel, surge quando o presidente dos EUA, Joe Biden, avalia um retorno ao acordo nuclear de 2015 com o Irã ou a negociação de um novo pacto. Os militares israelenses calculam que os EUA estariam mais inclinados a um retorno ao acordo.

Ao longo de sua campanha, Biden afirmou que retornaria ao acordo nuclear de 2015, conhecido formalmente como Plano de Ação Global Conjunto (JCPOA), se o Irã voltasse a cumprir o acordo, como um ponto de partida para negociações adicionais com Teerã.

Depois que o antecessor de Biden, Donald Trump, abandonou o acordo em 2018 e lançou uma campanha de “pressão máxima” de sanções financeiras, o Irã começou a violar regularmente os termos do pacto, enriquecendo urânio a níveis muito maiores e armazenando muito mais do que o permitido pelo JCPOA.

Neste estágio, os militares israelenses avaliam que o Irã ainda levaria dois anos para produzir uma arma nuclear, apesar do estoque e enriquecimento de urânio atual.

Essa estimativa de dois anos exigiria que o Irã avançasse a todo vapor com a criação de uma arma nuclear, em violação não apenas ao acordo nuclear de 2015, mas também ao tratado de não proliferação de armas nucleares do qual é signatário. As Forças de Defesa de Israel (IDFs) não acreditam que Teerã já tenha tomado tal decisão.

Embora o chefe do Estado-Maior das IDFs, Aviv Kohavi, tenha dito no mês passado que determinou o planejamento de opções militares contra o Irã para interromper seu programa nuclear, ainda não há nada definido, uma vez que o Irã não decidiu avançar na produção de uma bomba atômica, de acordo com as avaliações das IDFs.

Foto: Agência de Energia Atômica do Irã/AP