Israel disse a Abbas que limitará a anexação a 2-3 blocos de assentamentos

Israel transmitiu uma mensagem ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de que seus planos de anexação foram bastante reduzidos, não serão mais aplicáveis ao Vale do Jordão e serão limitados a apenas dois ou três blocos de assentamentos, informou o Canal 12 na sexta-feira, citando um alto funcionário em Ramallah.

O funcionário disse à rede que a mensagem foi entregue via Jordânia, após a reunião relatada pelo chefe do Mossad, Yossi Cohen, sobre o assunto com o rei Abdullah esta semana.

O funcionário disse que não foram fornecidos detalhes específicos sobre os assentamentos a serem anexados, mas afirmou que isso implicaria em um pequeno número de blocos.

A reportagem está de acordo com outra divulgada no início desta semana, segundo a qual o ministro das Relações Exteriores Gabi Ashkenazi disse que Israel não deve anexar o Vale do Jordão sob o plano de paz do governo Trump.

“Presumo que a anexação não inclua o vale do Jordão. Todo mundo entende isso”, disse Ashkenazi às autoridades em conversas a portas fechadas nos últimos dias, segundo a emissora pública Kan.

Também ficou de acordo com os comentários feitos pelas autoridades israelenses a Zman Yisrael, o site em hebraico do Times de Israel, que neste estágio o país apenas anexará três blocos da Cisjordânia, mas não o Vale do Jordão ou outras áreas de assentamento.

As notícias da TV na noite de terça-feira diziam que Netanyahu espera obter aprovação da Casa Branca para uma primeira fase de anexação que inclua não apenas um ou mais dos principais blocos de assentamentos como Ma’ale Adumim, Ariel ou Etzion Bloc, mas também um ou mais assentamentos mais relativamente “isolados”, mais profundos na Cisjordânia, para “transmitir a mensagem” de que esses assentamentos mais isolados também não se tornariam parte de uma futura entidade palestina. Uma segunda fase potencial de anexação seria mais extensa – de acordo com a promessa de Netanyahu de estender a lei israelense a todos os 132 assentamentos e ao vale do Jordão.

Uma matéria de quinta-feira no Canal 12 disse que os chefes de segurança estavam profundamente divididos nas possíveis ramificações da anexação, com os dirigentes das forças armadas e Mossad em desacordo com a possibilidade da ação ser enfrentada com violência palestina significativa ou não.

Os ministros presentes em uma reunião do gabinete de alto nível de segurança disseram na quarta-feira que o chefe da Casa Civil das IDFs, Aviv Kohavi, e o comandante da Inteligência Militar Tamir Hayman alertaram que a anexação pode provocar distúrbios violentos na Cisjordânia, incluindo ataques a civis e soldados israelenses.

Eles também alertaram que pode haver um retorno de atentados suicidas – como ocorreu durante a Segunda Intifada no início dos anos 2000 – e disseram que a medida pode levar a combates na Faixa de Gaza, governada pelo Hamas.

O chefe do Mossad, Yossi Cohen, por outro lado, rejeitou as previsões das IDFs, segundo a matéria.

“Não aceito a alegação de que a anexação necessariamente levará a respostas violentas”, disse ele na reunião.

Segundo a reportagem, o chefe do Shin Bet, Nadav Argaman, assumiu o meio termo, dizendo que, embora houvesse uma resposta à anexação, as condições econômicas eram boas o suficiente na Cisjordânia, e ele não acreditava que houvesse interesse palestino em “quebrar as regras do jogo.”

À medida em que a data prevista para a anexação se aproxima, tem havido crescente pressão internacional sobre Israel para abandonar o plano.

Não está claro se Israel seguirá adiante com alguma anexação em 1º de julho, já que os Estados Unidos ainda estão considerando a aprovação do plano. Três dias de discussões na Casa Branca sobre o assunto nesta semana foram concluídos sem que nenhuma decisão final fosse tomada.

Na quarta-feira, as Nações Unidas e as potências europeias e árabes alertaram Israel que seus planos de anexar terras palestinas seriam um grande golpe para a paz.

Enquanto isso, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse a repórteres que “as decisões sobre os israelenses de estender a soberania a esses lugares são decisões dos israelenses”.

Na terça-feira, Gantz sinalizou que poderia apoiar a anexação unilateral das terras da Cisjordânia, citando recusas persistentes dos palestinos de chegar a um acordo com Israel, reiterando sua exigência de que a medida não ponha em risco os acordos de paz existentes em Israel.

“Nós não vamos continuar esperando os palestinos. Se eles disserem não para sempre a tudo, seremos forçados a seguir em frente sem eles”, disse Gantz em entrevista a repórteres militares.

Gantz estabeleceu suas condições para anexação, prometendo que haveria um “processo organizado” em coordenação com as Forças de Defesa de Israel e outros serviços de segurança.

Ele indicou que se opunha à anexação do território com muitos palestinos, e que qualquer palestino no território a ser anexado deveria ter direitos iguais. Ele enfatizou a necessidade de manter a liberdade de movimento dos palestinos na Cisjordânia. Ele disse que a anexação deve ser coordenada com outros atores relevantes – uma aparente referência à Jordânia, Egito e outros na região.

Diz-se também que Gantz é a favor de que qualquer anexação ocorra no contexto de algum tipo de oferta mais ampla aos palestinos.