Israel e Líbano realizam as primeiras negociações em 30 anos, sobre limites de fronteira marítima

Autoridades israelenses e libanesas reuniram-se na manhã desta quarta-feira para negociações sobre limites da fronteira marítima, no que foi chamado de “encontro histórico” com o potencial de trazer mais estabilidade e prosperidade para a região.

No entanto, ambos os países observaram que as negociações, que duraram cerca de duas horas, têm como objetivo apenas resolver uma disputa de uma década sobre a delimitação exata das águas territoriais de em uma área que pode conter reservas submarinas de gás natural, mas que não pressagiam negociações de paz ou um processo de normalização.

A próxima rodada de negociações está marcada para 28 de outubro, disseram autoridades.

O encontro – uma rara interação oficial entre Líbano e Israel, que não têm relações diplomáticas – foi promovido pelas Nações Unidas e mediado pelos Estados Unidos. A sessão foi realizada em uma grande tenda montada na sede da força de paz da ONU em Naqoura, a cerca de 200 metros ao norte da fronteira israelense-libanesa.

Após o encontro, o chefe da delegação libanesa Waseem Yassin indicou em comunicado que as negociações marítimas com Israel provavelmente não trarão resultados imediatos, mas expressou otimismo de que isso aconteceria “no devido tempo”.

“É um primeiro passo na marcha de mil milhas de demarcação das fronteiras ao sul”, diz Yassin, sem mencionar o nome de Israel. “Com base no interesse supremo de nosso país, esperamos que a roda das negociações funcione a um ritmo que nos permita alcançar isso em um prazo razoável”.

As expectativas em relação às negociações “precisam ser realistas”, disse o ministro israelense da Energia, Yuval Steinitz, nesta segunda-feira. “Não se trata de conversações de paz ou negociações de normalização, mas sim da tentativa de solucionar um problema técnico-econômico que há uma década nos impede de desenvolver os recursos naturais do mar em benefício dos povos da região”.

As negociações visam resolver “um problema bem definido e limitado em relação às águas territoriais”, acrescentou Steinitz.

Autoridades dos EUA disseram que as negociações entre Israel e Líbano serão mantidas em um “caminho separado”.

Autoridades de Jerusalém enfatizaram que as negociações não devem ser confundidas de forma alguma com o início de um processo de normalização semelhante ao dos Emirados Árabes Unidos ou do Bahrein.

Na terça-feira, um alto funcionário do Ministério de Energia disse que o desacordo em discussão entre Jerusalém e Beirute era pequeno, e expressou otimismo cauteloso sobre resolvê-lo rapidamente.

“Se o outro lado vier às negociações com uma abordagem pragmática, espero que possamos resolver a disputa e avançar em um curto período de tempo – semanas, meses”, disse o funcionário a repórteres em condição de anonimato.

O secretário de Estado adjunto para Assuntos do Oriente Médio, David Schenker, presidiu a reunião. Ele tem viajado entre Jerusalém e Beirute nos últimos meses em um esforço para chegar a um acordo onde as administrações anteriores falharam.

O embaixador dos EUA na Argélia, John Desrocher, atuou como mediador dos EUA no curso das negociações, que foram hospedadas pelo Coordenador Especial da ONU para o Líbano, Jan Kubis.

O “acordo para iniciar as discussões sobre a fronteira marítima é um passo vital à frente que oferece o potencial de render maior estabilidade, segurança e prosperidade para cidadãos libaneses e israelenses”, disse o Departamento de Estado dos EUA em comunicado nesta terça-feira.

O grupo terrorista libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, disse na semana passada que as negociações não significam normalização, nem visam acordos de paz com o Estado judeu.

“Apesar das notícias que circulam, a estrutura de negociação trata de nossas fronteiras marítimas do sul e da recuperação de nossas terras, de modo a delinear nossa soberania nacional”, disse o Bloco de Lealdade à Resistência, braço político do Hezbollah, em comunicado. “E isso não tem absolutamente nada a ver com reconciliação com o voraz inimigo sionista, nem com a normalização que alguns países árabes adotaram”, acrescentou o grupo terrorista, referindo-se aos acordos recentes que Israel fez com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein.