Israel já registra queda na taxa de transmissão da Covid-19 e governo anuncia retomada de eventos culturais

Com mais de três milhões de vacinados contra a Covid-19 – incluindo 80% das pessoas com mais de 60 anos -, Israel registrou nesta quarta-feira, pela primeira vez desde outubro, uma taxa de transmissão do coronavírus abaixo de 1.

Em encontro com representantes do setor cultural, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que os eventos culturais poderão ser retomados dentro de duas semanas com um limite de comparecimentos e para os que tiverem “passaporte verde” – o documento dado aos que tomaram a segunda dose da vacina.

A taxa de reprodução do coronavírus – que reflete a capacidade da doença de se espalhar – caiu abaixo de 1, segundo revelou o Ministério da Saúde na manhã desta quinta-feira. Isso significa que cada pessoa infectada com a doença está, em média, passando para menos de uma pessoa (0,99): um número-chave para reverter a alta morbidade, já que o país também ultrapassa o número de mais de três milhões de vacinados.

Na quarta-feira, 8.174 novos casos de coronavírus foram registrados, de acordo com o ministério.

Cerca de 93.283 testes foram administrados e cerca de 9% deles tiveram resultado positivo. Na manhã desta quinta-feira, cerca de 1.169 pacientes estavam em estado grave, com 317 intubados. O número de mortos até a manhã de hoje era de 4.179, com um aumento de 37 mortes desde o dia anterior.

Também nesta quarta-feira, o ministério lançou uma campanha para sensibilizar o setor haredi (ultraortodoxo) sobre o risco da disseminação do vírus e a necessidade de se cumprirem as regras de bloqueio. O número de infectados e mortes entre os ultraortodoxos tem sido especialmente alto, assim como as violações das determinações nas cidades e bairros haredi.

Com cerca de 200.000 pessoas vacinadas na terça e na quarta-feira, mais de três milhões de pessoas receberam pelo menos a primeira dose da vacina, incluindo 80% das pessoas com mais de 60 anos. Cerca de 600.000 israelenses já obtiveram as duas doses da vacina contra o vírus.

Embora atualmente a possibilidade de se vacinar seja restrita a pessoas com mais de 40 anos – além de equipes médicas, professores e portadores de doenças pré-existentes – mais especialistas aconselham a abertura do sistema à população em geral.

“Neste tempo de epidemias e mutações – vacinar toda a população com 16 anos ou mais não deve ser uma questão, deve ser um fato”, disse o Dr. Noy Cohen, pediatra do Centro Médico Assuta de Ashdod.

Na quarta-feira, a professora Galia Rahav, diretora da Unidade de Doenças Infecciosas do Centro Médico Sheba, Tel Hashomer e membro do comitê do Ministério da Saúde dedicado a desenvolver protocolos de priorização, disse que Israel não precisava mais restringir sua campanha de vacinação a grupos específicos uma vez que há vacinas suficientes para abrir para a população adulta em geral.

Mais tarde, o Clalit, o maior fundo de saúde do país, abriu a vacinação para jovens acima dos 35 anos porque a capacidade diária de inoculação do fundo de saúde – 100.000 vacinas por dia – excede a procura e, portanto, eles queriam evitar qualquer desperdício de materiais ou mão de obra.

Foto: MARC ISRAEL SELLEM/THE JERUSALEM POST