Israel manifesta interesse em conversar com a Rússia sobre sua vacina contra o coronavírus

O ministro da Saúde, Yuli Edelstein, disse nesta terça-feira que Israel está interessado em conversar com a Rússia sobre a vacina funcional que o país desenvolveu e que diz estar pronta para uso contra o coronavírus.

Edelstein deu a declaração depois que o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou, no início do dia, que seu país havia concluído o desenvolvimento de uma vacina e que a mesma foi administrada em sua própria família.

Autoridades russas disseram que a produção em grande escala da vacina começará em setembro e a vacinação em massa terá início já em outubro.

Muitos cientistas reagiram com ceticismo, no entanto, questionando a decisão de registrar a vacina antes dos testes de Fase 3 que normalmente duram meses e envolvem milhares de pessoas. Alguns sugeriram que os pesquisadores podem estar economizando e sendo pressionados pelas autoridades para entregar logo a vacina.

A Organização Mundial da Saúde disse que qualquer selo de aprovação da OMS em uma vacina contra a Covid-19 exigiria uma revisão rigorosa dos dados de segurança.

“Estamos em contato próximo com as autoridades de saúde russas e discussões estão em andamento com relação a uma possível pré-qualificação da vacina pela OMS”, disse o porta-voz da agência da ONU Tarik Jasarevic em Genebra.

Edelstein disse aos repórteres: “Já combinamos discussões sobre o centro de pesquisa na Rússia e o desenvolvimento de uma vacina. Se estivermos convencidos de que é um produto eficaz, tentaremos entrar em negociações”.

Edelstein falou enquanto visitava uma fábrica de máscaras N95 na cidade de Sderot, ao sul.

O ministro disse que Israel já assinou acordos com duas empresas na esperança de que elas também possam desenvolver vacinas.

“Acompanhamos de perto qualquer notícia e verificamos as publicações, não importa em qual país”, disse Edelstein.

“A vacina não virá amanhã. Sabemos que ainda não existe uma vacina que tenha passado por todas as etapas exigidas e recebido as aprovações necessárias”.

Anteriormente, Putin disse que a Rússia desenvolveu a primeira vacina que oferece “imunidade sustentável” contra o coronavírus.
“Esta manhã, pela primeira vez no mundo, foi registrada uma vacina contra o novo coronavírus” na Rússia, disse ele durante uma teleconferência com ministros do governo.

O Ministério da Saúde de Moscou disse que se esperava que a vacina fornecesse imunidade ao coronavírus por até dois anos.

“Sei que tem se mostrado eficiente e forma uma imunidade estável, e gostaria de repetir que passou em todos os testes necessários”, disse Putin, enfatizando que a vacinação será feita de forma voluntária. “Devemos ser gratos àqueles que deram esse primeiro passo muito importante para nosso país e para o mundo inteiro”.

“Uma das minhas filhas tomou esta vacina. Acho que nesse sentido ela participou do experimento”, disse Putin.

O presidente russo disse que sua filha tinha uma temperatura de 38 graus Celsius no dia da primeira injeção da vacina, e caiu para pouco mais de 37 graus no dia seguinte. Depois da segunda injeção, ela teve novamente um ligeiro aumento de temperatura, mas em seguida passou.

“Ela está se sentindo bem e tem um grande número de anticorpos”, acrescentou Putin. Ele não especificou qual de suas duas filhas – Maria ou Katerina – recebeu a vacina.

A Rússia tem se esforçado para desenvolver rapidamente uma vacina contra o coronavírus e disse no início deste mês que esperava lançar a produção em massa dentro de semanas e produzir “vários milhões” de doses por mês no próximo ano. É o primeiro país a registrar uma vacina contra o coronavírus.

Autoridades russas disseram que profissionais da área médica, professores e outros grupos de risco serão os primeiros a serem vacinados.

O professor Alexander Gintsburg, chefe do Instituto Gamaleya que desenvolveu a vacina, disse que a vacinação começará enquanto os testes de Fase 3 continuam. Ele disse que inicialmente haverá apenas doses suficientes para realizar a vacinação em 10 ou 15 das 85 regiões da Rússia, de acordo com a agência de notícias Interfax.

A pandemia viu uma mobilização sem precedentes de financiamento e pesquisa para apressar a criação de uma vacina que possa proteger bilhões de pessoas em todo o mundo.

A Rússia registrou 897.599 casos de coronavírus, incluindo 15.131 mortes.

Quando a pandemia atingiu a Rússia, Putin ordenou que as autoridades estaduais reduzissem o tempo dos testes clínicos para vacinas potenciais contra o coronavírus.

Tornar-se o primeiro país do mundo a desenvolver uma vacina foi uma questão de prestígio nacional para o Kremlin, que tenta fazer valer a imagem da Rússia como potência global. As emissoras de televisão estaduais e outras mídias elogiaram os cientistas que trabalharam no projeto e apresentaram o trabalho como motivo de orgulho diante de outras nações.