Israel proíbe venda de peles de animais para a indústria da moda e torna-se primeiro país a adotar a medida 

 Israel decidiu, nesta quarta-feira, proibir a venda de peles de animais para a indústria da moda, tornando-se o primeiro país do mundo a adotar a medida.

“A indústria de peles causa a morte de centenas de milhões de animais em todo o mundo e inflige crueldade e sofrimento indescritíveis”, disse a ministra de Proteção Ambiental, Gila Gamliel, em nota após a assinatura da emenda, que entra em vigor em seis meses.

“Usar a pele e os pelos de animais para a indústria da moda é imoral e certamente desnecessário. O comércio de casacos de pele de animais não podem justificar a indústria de assassinatos brutais de que os fabrica. Assinar esses regulamentos tornará o mercado da moda israelense mais ecologicamente correto e com muito mais compaixão pelos animais”.

A decisão foi saudada pela ONG de direitos dos animais Animals Now, que elogiou a iniciativa como um “marco histórico” que “salvará inúmeros animais da crueldade da indústria de peles”.

Em nota, a ONG acrescentou: “Há anos lutamos para proibir a venda de peles para a indústria da moda e, desde o início, 86% do público israelense apoiou isso”.

“Agradecemos a ministra Gamliel e (a ativista) Tal Gilboa, assessora do primeiro–ministro para os direitos dos animais, e aos nossos parceiros na luta ao longo dos anos, Let The Animals Live e International Anti-Fur Coalition (IAFC)”.

“A IAFC vem defendendo a adoção de um projeto de lei para proibir a venda de peles em Israel desde 2009, e aplaudimos o governo israelense por finalmente dar o salto histórico rumo à fabricação de peles para a história da moda”, disse a fundadora da IAFC Jane Halevy em comunicado.

“Todos os animais sofrem terrivelmente nas mãos dessa indústria cruel e atrasada”, acrescentou Halevy, cuja organização vem trabalhando para isso há mais de uma década. “Nada é mais animador do que a concretização de um sonho. Matar animais para obter peles deveria se tornar ilegal em todos os lugares – é hora de os governos em todo o mundo proibirem a venda de peles”, acrescentou.

A organização de direitos dos animais PETA também saudou a medida como uma “vitória histórica”, escrevendo no Twitter que a iniciativa “protegerá incontáveis raposas, visons, coelhos e outros animais de serem violentamente mortos por causa sua pele”.

No Twitter, Gamliel também escreveu que estava orgulhosa de Israel ser o primeiro país a proibir a venda de peles.

A decisão de proibir o comércio de peles torna Israel o primeiro país do mundo a fazê-lo, embora o estado da Califórnia nos Estados Unidos tenha proibido a venda de peles para a indústria da moda em 2019.

Em outubro, quando os planos foram anunciados pela primeira vez por Gamliel, ficou claro que futuras licenças para o comércio de peles ainda seriam concedidas, mas apenas em alguns casos. Essas licenças são emitidas pela Autoridade de Parques e Natureza, mas esses novos critérios limitariam as concessões apenas para casos de “pesquisa científica, educação, para fins de instrução e religião e tradição”.

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