(Yonatan Sindel/FLASH90

Israel realiza hoje sua quarta eleição nacional em 2 anos

Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira, 23, pela quarta vez em dois anos, na esperança de quebrar um ciclo aparentemente interminável de eleições e um impasse político que deixou o país sem orçamento nacional durante uma pandemia.

Israel tem 6.578.084 eleitores aptos para votar em 13.685 locais de voto distribuídos em todo o país, incluindo 750 postos especiais para os doentes e em quarentena por Covid-19.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu votou em uma escola de Jerusalém, onde convocou os eleitores a votar, mas evitou comentar os possíveis resultados.

“Esta é uma festa da democracia”, disse Netanyahu ao lado de sua esposa, Sara. “Este é um país feliz. “Espero que esta seja a última eleição”, acrescentou.

Netanyahu espera que o programa de vacinação de Israel, que ajudou o país a emergir nos últimos dias para algo próximo da normalidade, dê a ele e a seus aliados conservadores uma vantagem e a maioria estável que provou ser impossível de conquistar nas três eleições anteriores.

Mas Netanyahu, primeiro-ministro desde 2009, está concorrendo à reeleição enquanto é julgado por acusações de corrupção – uma dinâmica que os partidos de oposição esperam que leve os eleitores a finalmente retirá-lo do cargo.

Na realidade, porém, as pesquisas mostram que nenhum bloco tem um caminho claro para a maioria, deixando muitos israelenses se preparando para outro resultado inconclusivo e uma possível quinta eleição no final do ano.

A explicação mais simples é que, desde 2019, nem Netanyahu nem seus oponentes conseguiram ganhar cadeiras suficientes no Parlamento para formar um governo de coalizão com maioria estável. Isso deixou Netanyahu no cargo, seja como primeiro-ministro interino ou à frente de uma frágil coalizão com alguns de seus mais ferozes rivais, embora não totalmente no poder. E isso forçou o país a votar repetidamente em uma tentativa de quebrar o impasse.

Analistas dizem que uma das motivações de Netanyahu para buscar a reeleição seria a facilidade maior para se defender de acusações que sofre na Justiça. A oposição diz que ele está pronto para levar o país à eleição após eleição – até que ele ganhe uma maioria parlamentar mais forte que poderia lhe conceder imunidade no processo.

foto: Yonatan Sindel/FLASH90