“Israel tomará medidas militares contra o Irã nuclear, se necessário”, adverte Gantz

O ministro israelense da Defesa, Benny Gantz, disse que Israel mantém aberta a possibilidade de tomar medidas militares contra o programa nuclear do Irã, se necessário. Pouco depois, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, advertiu que o Irã pode acumular material suficiente para uma bomba nuclear em semanas.

“Israel tem um objetivo claro: impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. E esse não é apenas um objetivo israelense. É, antes de mais nada, um interesse global e regional”, disse Gantz em entrevista a uma emissora de televisão egípcia transmitida no domingo.

“As IDFs e as instituições de defesa de Israel estão considerando a opção de agir contra o projeto nuclear do Irã, se isso for o que precisa ser feito”, disse ele, em trechos da entrevista fornecidos por seu gabinete. “Espero que não tenhamos que chegar a esse ponto”, destacou.

Israel conduziu duas vezes ataques militares contra os programas nucleares de seus inimigos – no Iraque, em 1981, e na Síria, em 2007 – sob o que ficou conhecido como a Doutrina Begin, que afirma que Jerusalém não permitirá que um país inimigo obtenha uma arma atômica.

Gantz também disse que a obtenção de capacidades nucleares pelo Irã levaria a uma corrida armamentista no Oriente Médio, e que o apoio de Teerã ao grupo terrorista libanês Hezbollah e aos houthis do Iêmen também exigiria uma ação.

“Um Irã nuclear levaria a uma corrida armamentista em todo o Oriente Médio. O regime é fundamentalista e radical e, em última análise, deseja obter capacidade nuclear não apenas para tê-la, mas principalmente pelo poder que isso lhes daria na dissuasão nuclear”, disse Gantz à TV árabe Alghad.

“Espero que o povo do Irã me entenda: não tenho nada contra os iranianos. Os cidadãos iranianos merecem uma vida normal como qualquer outro povo. Mas o apoio do regime ao terrorismo, do Hezbollah, dos Houthis requer ação”, disse ele.

Gantz também disse que qualquer eventual guerra futura envolveria o Hezbollah e o Hamas disparando mísseis contra civis israelenses e que Israel precisaria responder atacando depósitos de mísseis em áreas civis.

“Quando digo que sei que há residências no Líbano que abrigam mísseis, não é apenas um slogan, é realidade”, disse Gantz. “Se houver necessidade, teremos que atacar depósitos de mísseis que estão sendo armazenados entre a população civil. “E já tivemos a prova dessa prática imprudente do Hezbollah com a explosão no porto de Beirute”. O grupo terrorista foi acusado de estocar nitrato de amônio que causou forte explosão na capital libanesa no ano passado.

Gantz também expressou esperança de mais acordos de normalização entre Israel e países árabes, citando a Arábia Saudita como um país com “grande possibilidade”.

Foto: Gili Yaari/Flash90