Israelenses vão às urnas hoje em segunda eleição no ano

Eleitores israelenses vão às urnas hoje pela segunda vez em menos de seis meses tendo como foco a avaliação dos mais de dez anos de liderança de Benjamin Netanyahu. E a pergunta principal que os eleitores se fazem é: “Será que somente ele é capaz de manter o país seguro dentro de um volátil Oriente Médio?”

Os apoiadores de Netanyahu têm argumentos fortes. O Oriente Médio permanece no meio de uma tempestade sem precedentes que está ocorrendo desde o início da Primavera Árabe, em 2011. Na maioria das vezes, ele manteve Israel seguro, melhorou a economia do país e soube conduzir de forma inteligente relacionamentos tensos com os EUA, sob a administração Obama, e com o líder russo Vladimir Putin.

Com a eleição de Donald Trump em 2016, Netanyahu conquistou o que se traduziu em uma aliança ainda mais forte com os EUA e conseguiu obter benefícios estratégicos, como o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a soberania israelense sobre as colinas de Golã, a transferência da embaixada dos EUA e saída americana do acordo com o Irã.

Receber charutos, champanhe e interferir na mídia – as denúncias que podem levar o premier a responder processo – não incomodam esses apoiadores. Netanyahu se apresenta como uma vítima de adversários, do procurador-geral e de grande parte da mídia. Mas ele mantém Israel seguro e, como dizem, “se não está quebrado, por que consertar?”.

No entanto, seus detratores veem um Netanyahu de outra forma. Eles se recusam a varrer as acusações de corrupção para debaixo do tapete e se opõem à adoção de uma lei que permitiria a imunidade de Netanyahu diante de eventual processo e que seria promulgada para garantir sua permanência no cargo. Eles discordam das contínuas críticas do primeiro-ministro às instituições que defendem o caráter democrático de Israel – a polícia, a promotoria e a Suprema Corte – e receiam que, se ele conseguir se reeleger, o estado de direito será perdido para sempre.

Eles olham para Netanyahu como um líder que está aqui há muito tempo – 13 anos no total – e anseiam por uma nova liderança, que pode não funcionar, mas pode revitalizar o país. Eles afirmam que sua retórica é divisória e polarizadora e distanciou os judeus da diáspora, o Partido Democrata dos EUA e uma grande parte dos nove milhões de cidadãos de Israel que se sentem cada vez mais desprovidos de privilégios.

Netanyahu conseguiu tornar-se o foco desta eleição e da anterior, em abril. As questões que deveriam preocupar os israelenses – saúde, educação, paz com os palestinos e mais – caíram, ou passaram a ser secundárias. Com o foco nele e em sua liderança, essa nova votação não é diferente da de abril – os dois referendos foram sobre ele e sua liderança.

Sem uma esquerda real em Israel hoje, as diferenças de política entre o Likud e o Azul e o Branco são pequenas. Ambos os lados entendem que as políticas econômicas atuais estão funcionando e que um acordo de paz com os palestinos não está no horizonte imediato.

Mas isso não importa. Quando o foco está em Netanyahu, ele vence. As pessoas são levadas a se perguntar se ele e sua liderança funcionam no país. E, então, todo o resto se torna sem sentido.

Netanyahu é a única pessoa que pode liderar este país? Claro que não. Nenhum país depende de um líder e, como em qualquer nação, em Israel a força deriva do povo e de sua ativa participação na sociedade.

Mas se as táticas de Netanyahu acabarem funcionando e ele for eleito para mais um mandato, isso representará um acontecimento inédito na história de Israel. Ele será conhecido como um político Houdini que nem três ex-chefes das Forças Armadas conseguiram derrotar. Se ele conseguir os 61 assentos à direita – entre Likud, Shas, Judaísmo da Torá Unida e Yamina – ele poderá aprovar sua lei de imunidade e evitar ter que comparecer a uma sala de tribunal ou, eventualmente, ser levado a uma cela de prisão.

Mas o que acontecerá com Israel? Como esse país se unirá após duas eleições que viram seus principais candidatos – Netanyahu e Benny Gantz – trocando acusações quase diariamente nos últimos seis meses?

O país pode superar essa divisão política? Pode encontrar um terreno comum para se apoiar? Pode ser o Israel que tantas pessoas querem que se torne?