Foto: Arquivo pessoal

Jornalista Bruno Thys fala sobre sua herança judaica e o lançamento do livro “O canto do violino”

O jornalista Bruno Thys acaba de lançar o livro “O canto do violino”, novela, que mistura ficção e realidade, ambientada entre o Rio atual e a Europa do século passado. O rabino Nilton Bonder, que assina o prefácio, diz sobre o autor: “Bruno nos conduz a uma viagem a suas próprias raízes: a herança judaica de seus antepassados no Leste Europeu, a música e o Rio de Janeiro. É um passeio por uma sinfonia de emoções humanas, tendo o repertório clássico como trilha dos momentos mais sublimes e também aterrorizantes da existência humana”. Bruno Thys falou à CONIB sobre a sua herança judaica e o lançamento do livro. Veja a seguir:

 O que o inspirou a escrever o livro?

Sou jornalista e, como tal, vivo da realidade. Porém, sempre tive o desejo de me aventurar pelo mundo da ficção. Há anos reúno esboços de contos, de romances, de roteiros, de peças etc. Em meados do ano passado, no auge da pandemia, intoxicado pelos horrores revelados todos os dias, ao vivo, na CPI da Covid, resolvi abrir a gaveta das ideias, retirar uma delas e reservar algumas horas por dia para escrever. Foi um desafio e ao mesmo tempo uma maneira de me proteger da realidade, mergulhando no universo da imaginação.

O que o livro traz de atual já que também é ambientado na Europa do século passado?

É uma novela: um cidadão compra na Internet um violino de segunda mão, manda para reparos e o artesão encarregado do serviço descobre peças dentro do tampo do instrumento. A busca pelo significado desses objetos vai conduzir a história e remeter ao passado da guerra, do Holocausto. Há uma sucessão de mistérios desvendados ao longo das páginas e um grande segredo no final. Infelizmente, é uma história atual. O passado de opressão e intolerância, que imaginávamos banido, ressurge em várias partes do mundo nos dias de hoje, e o Brasil não é exceção. Nesse sentido, o livro tem uma mensagem de reafirmação dos valores humanos essenciais e das raízes coletivas.

Fale sobre a sua herança judaica.

É um tremendo patrimônio que compartilho com filhos e amigos. Meus avós vieram da Rússia e da Polônia e a cultura judaica está em mim desde o meu oitavo dia de vida! Estudei o primário em colégio Israelita. Na adolescência descobri Bashevis Singer, Saul Bellow, Bernard Malamud, Primo Levi, Philip Roth, entre outros escritores que têm na cultura judaica uma espécie de lente para ver o mundo. Me conectei desde então não só com o que eu chamaria de literatura judaica contemporânea, mas com o humor, com a música e a cultura. Me ressinto de não saber iídiche, língua que guarda muito da sabedoria judaica.

Por que escolheu um rabino para escrever o prefácio do seu livro?

Nilton Bonder é um grande rabino e um querido amigo que muito me honrou com o prefácio. Me reconectei com a religião quando meus filhos fizeram bar-mitzvah. Diferente da minha época, na Congregação Judaica do Brasil (CJB), fundada pelo Nilton, a família participa ativamente do bar-mitzvah. Há tarefas para os pais e avós ao longo dos dois anos de preparação. Meus filhos, que não estudavam em escola judaica, adoraram conhecer mais profundamente o judaísmo e nós nunca mais saímos da CJB. Há um fato que julgo curioso na minha relação com a religião: a CJB mistura os ritos sefaradi e asquenazi. Gostei tanto de conhecer os ritmos e os cânticos sefaradi que brinco que sou asquenazi convertido ao “sefaradismo”.

Como está sendo recebido o livro?

Bem. O retorno de quem já leu é um alento para um autor, como eu, acometido de sucessivas crises de insegurança sobre a receptividade do seu trabalho.

Há planos para novas publicações?

Ainda estou muito focado no lançamento deste livro. Acho que tem potencial para virar filme e peça de teatro. Mas a minha “gaveta de ideias” é grande e o processo de escrever, mais agradável e prazeroso do que eu imaginava. Gostaria, sim, de me aventurar a contar outras histórias reais ou não.