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Jornalista lança livro e documentário sobre Saul Benchimol e a presença judaica na Amazônia

Com 40 livros publicados – três deles na Europa: dois em Portugal e um na Espanha -, Abrahim Baze lança agora “Saul Benchimol – A Saga de Um Judeu na Amazônia” e um documentário (https://www.youtube.com/watch?v=al1JBzZ21io ) sobre a família Benchimol e a presença judaica na região norte do Brasil, com imigrantes judeus vindos principalmente do Marrocos. Em conversa com a CONIB, ele falou sobre o que o inspirou a escrever o livro e fazer o documentário:

A pouco mais de duzentos anos a Amazônia vivia um período importante e rico com a produção do látex. Os judeus residentes no Marrocos passaram a sofrer perseguição religiosa e nesse período a Amazônia era a vitrine da economia mundial, com a produção do látex. As duas maiores cidades produtoras do látex eram Belém e Manaus. Isso estimulou a imigração de muitos estrangeiros dentre eles, ingleses, italianos, árabes, espanhóis, portugueses e judeus, que, junto com árabes, tiveram papel importante na economia desses dois estados. Naturalmente não podemos esquecer os estados do Acre e de Rondônia que em menor proporção também receberam esses imigrantes. Os judeus também foram trabalhar como comerciantes, promovendo o escambo e outros, financiados na época principalmente pelos bancos ingleses e americanos, embrenharam-se em plena selva dos seringais para a extração da borracha.

Esses imigrantes que trabalharam na produção e exportação da borracha sofreram a perda de suas economias com o debacle da borracha que teve início em 1910. Em 1914 têm a sua extinção econômica definitiva, porém eram homens de negócios e diversificaram seus comércios partindo para o interior e iniciando novos empreendimentos nas cidades.

Belém, por um longo período, foi a porta de entrada para a Amazônia, pois sua economia a época era superior a do Amazonas. Por isso, a emigração judaica para Belém tornou-se expressiva e outras famílias que não obtiveram sucesso lá acabaram migrando para o Amazonas e construíram seus comércios com sucesso. A comunidade judaica de Belém tem entre 1500 e 2000 mil pessoas e é muito expressiva economicamente. Em Manaus a comunidade conta com aproximadamente 200 pessoas e também tem participação expressiva na economia. A comunidade de Manaus nos seus primórdios tinha duas sinagogas e o pai de Saul e Samuel promoveu a fusão em uma só, fato histórico importante. A família Benchimol teve e tem importante papel na economia da cidade.

Uma curiosidade sobre a família Benchimol: 

Saul Benchimol vivia nos EUA, como uma bolsa de estudo e algumas economias amealhadas pela família. Lá conheceu Rosalie, também judia e estudante da mesma universidade. Passaram a namorar e resolveram se casar. Ambos estudantes sem grandes recursos e com as dificuldades da época encontraram facilidade para casar em Las Vegas, pois lá havia um rabino que resolveu ajudá-los. Ao chegarem na sinagoga se surpreenderam com uma ornamentação muito cara e ficaram curiosos para saber o motivo. Descobriram que no dia anterior haviam se casado lá a atriz Elisabeth Taylor e o empresário judeu Eddie Fisher.

Abrahim Baze é jornalista, trabalha na emissora de rádio e televisão do norte do país  Grupo Rede Amazônica, é colunista da CBN Amazônia e do Portal Amazônia e âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia. Também dirigiu o documentário sobre a vida e obra do irmão de Saul, Samuel Benchimol (https://youtu.be/JWTzdt48R24 ).