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“Judeus no Brasil: História e historiografia – Ensaios em homenagem a Nachman Falbel” registra a vida judaica no País

Não é qualquer um que recebe homenagem com nome e circunstância. A endereçada ao professor Nachman Falbel tem não só nome, mas mais de consistentes 450 páginas. O livro “Judeus no Brasil: História e historiografia – Ensaios em homenagem a Nachman Falbel”, editado pela Garamond, já está disponível no mercado para os que tem interesse por história, são profissionais da área ou simplesmente fãs do professor Falbel ou da mais de uma dezena de especialistas, muitos ex-alunos, pares, e amigos, que assinam seus capítulos.
A homenagem foi surpresa. Não que, apesar de todo o esforço para que a iniciativa permanecesse oculta, não tenha lançado no homenageado alguma desconfiança: “Eu senti que tinha alguma coisa acontecendo. Porque sempre tinha alguém me pedindo informações aqui e acolá. Primeiro um, depois outro. Achei estranho. Depois associei. Minha filha participou na feitura dessa homenagem. Ela se esforçou muito para não revelar nada”, conta à Conib, por telefone, Nachman Falbel.
O livro é organizado por Anat Falbel, Avraham Milgram e Fabio Koifman, que assinam artigos e também o prefácio. A obra, que conta também com depoimento de Celso Lafer, reúne artigos que refletem as múltiplas vertentes do universo intelectual de Falbel, que vai dos cristãos novos no período colonial à colonização agrícola dos inícios do período republicano, do governo Vargas à multifacetada comunidade judaica de nossos dias. Por seus capítulos, o livro oferece um importante registro compilado da presença judaica no Brasil.
O presente agradou. Falbel fala sobre o grupo que se dedicou ao livro: “Comecei a ler alguns dos artigos. Conheço o trabalho dessa geração mais nova. Eu os ví crescer e, creio, os estimulei”. Para o professor, o que a obra revela é “um salto qualitativo e quantitativo do ponto de vista da documentação usada. São pesquisas excelentes e inéditas”, avalia. Ele explica: Estes trabalhos são um marco novo na historiografia judaica pela utilização de fontes que não tinham sido usadas anteriormente. É um marco para o desenvolvimento de uma nova historiografia”.
Bem-humorado, Nachman Falbel, depois de ressaltar as contribuições de todos, disse que a homenagem o colocou em uma situação difícil, que é a de elogiar a filha. “É um trabalho significativo na arte de Lasar Segall, diz ele referindo-se ao artigo “Zygmunt Turkow e Lasar Segall: arte judaica em cena” assinado por Anat Falbel e Vera d’Horta.
A entrevista com Nachman Falbel não precisa de perguntas a título de orientação. Ele ordena sozinho. Fala de seus interesses, da história medieval em que se tornou professor titular pela USP à criação do Arquivo Judaico Brasileiro, ao qual se dedicou por significativas décadas, passando pela Polônia natal, a vinda acidental para o Brasil por conta de um problema familiar, em março 1939 ( a Polônia foi invadida pela Alemanha em setembro daquele ano), das lições de hebraico no cheder, da paixão pelo iidiche. Ao ouvir sua narrativa, fica fácil entender que Falbel é um homem de paixões e que, privilégio, fez delas objeto de estudo e de trabalho. “O meu trabalho foi muito inspirado pelo passado da minha família”.
Aos 89 anos, continua ativo. Tem imenso prazer em ler em iidiche e em hebraico. Pesquisa no momento, com a ajuda da internet, sobre escritores e poetas que passaram pelo Brasil e se dirigiram para a Argentina. Na sua opinião, um resgate que deve ser feito. É um entusiasmado com a internet e as facilidades tecnológicas. “Eu passei a vida viajando. Como medievalista, minhas fontes estavam na Europa e eu aproveitava e esticava até a biblioteca de Jerusalém. Era caro e cansativo. E hoje você pode ler em sites livros de bibliotecas que tenham sido digitalizados. Antes tínhamos que comprar livros. Muito dispendioso. Posso dizer que a Amazon foi muito importante na minha vida”, finalizou, rindo, o professor Falbel.