Julgamento de Netanyahu está marcado para 17 de março, duas semanas após a eleição

O Ministério israelense da Justiça anunciou nesta terça-feira que o julgamento do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre casos de corrupção começará em 17 de março às 15h. O julgamento será aberto apenas duas semanas depois de os israelenses comparecerem às urnas pela terceira vez em menos de um ano e ocorrerá quando os partidos estiverem empenhados na busca para formar uma coalizão.

Em 28 de janeiro, o procurador-geral Avichai Mandelblit apresentou acusações contra Netanyahu no Tribunal Distrital de Jerusalém, por fraude e quebra de confiança nos casos 1000 e 2000, e suborno, fraude e quebra de confiança no caso 4000. É a primeira vez, na história de Israel, que um primeiro-ministro em serviço enfrentará acusações criminais.

No início deste mês, o presidente do Tribunal Distrital de Jerusalém, Aharon Farkash, revelou os integrantes do painel de três juízes que ouvirão o caso de Netanyahu: a presidente Rivka Friedman-Feldman, juntamente com os juízes Moshe Bar-Am e Oded Shaham. Todos atuam no Tribunal Distrital de Jerusalém desde 2012.

Friedman-Feldman participou do julgamento do ex-primeiro-ministro Ehud Olmert quando ela era membro de um painel semelhante de três juízes que, em 2014, anulou sua absolvição em um caso de suborno e o sentenciou a oito meses de prisão.

Olmert foi sentenciado a um total de 27 meses por condenações em três julgamentos de corrupção, dos quais ele cumpriu 16 meses até sua libertação em 2017. Ele renunciou ao cargo de primeiro-ministro antes do início dos julgamentos.

A eleição nacional em Israel será realizada em 2 de março. Netanyahu estará lutando por sua sobrevivência política, enfrentando um difícil desafio em relação ao líder do Azul e Branco, o rival Benny Gantz, embora nenhum deles tenha um caminho claro para formar uma coalizão majoritária sem o outro, de acordo com recentes pesquisas.

Apesar do iminente julgamento, os aliados religiosos e de direita de Netanyahu reafirmaram sua lealdade ao primeiro-ministro no início desta semana.

O julgamento de Netanyahu deve interromper a disputa política para formar uma coalizão após a eleição.

A apresentação das acusações em janeiro ocorreu horas depois de Netanyahu anunciar que estava retirando seu pedido de imunidade parlamentar.

O primeiro-ministro negou repetidamente qualquer irregularidade nos três casos e alegou que as investigações contra ele são uma “caça às bruxas” envolvendo a esquerda, a mídia e a polícia, que estariam pressionando incansavelmente um procurador-geral “fraco”.

O Caso 1000 envolve acusações de que Netanyahu recebeu presentes e benefícios de benfeitores bilionários, incluindo o produtor israelense de Hollywood Arnon Milchan em troca de favores. Nesse caso, Mandelblit acusou Netanyahu de fraude e quebra de confiança – este último sendo um crime definido de maneira um tanto obscura, relacionado a um funcionário que viola a confiança que o público depositou nele.

No caso 2000, segundo acusações, Netanyahu teria concordado com o editor de jornal Yedioth Ahronoth, Arnon Mozes, em reduzir a divulgação de notícias diárias sobre um rival politico em troca de uma cobertura mais favorável. Mandelblit acusou o primeiro-ministro por fraude e quebra de confiança, enquanto Mozes será acusado de suborno.

No caso 4000, amplamente visto como o mais grave contra o primeiro-ministro, Netanyahu é acusado de tomar decisões regulatórias que beneficiaram Shaul Elovitch, o acionista controlador da gigante das telecomunicações Bezeq, em troca de uma cobertura positiva do site de notícias Walla, de propriedade da Elovitch. Nesse caso, Mandelblit está acusando Netanyahu e Elovitch de suborno.