Knesset rejeita projeto de lei que impediria Netanyahu de formar novo governo

O plenário do Knesset rejeitou nesta quarta-feira por 53 votos contra 37 um projeto de lei que pretendia impedir qualquer autoridade acusada de crimes graves – incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que foi indiciado por fraude, suborno e quebra de confiança – de formar um governo.

A votação foi conduzida por voto nominal a pedido da oposição, a fim de constranger os parlamentares do Azul e Branco que boicotaram a sessão. O Likud havia alertado o Azul e Branco que se os membros do partido simplesmente se ausentassem em vez de votar contra o projeto, isso violaria as regras do acordo de coalizão e poderia levar à novas eleições.

Durante o debate sobre o projeto de lei, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o líder da oposição Yair Lapid se desentenderam.

“Estamos testemunhando outro capítulo vil na história interminável daqueles que falam sobre democracia enquanto tentam destruí-la”, disse Netanyahu. “Estou aqui porque fui eleito. Um grande número de pessoas depositou sua confiança em mim nas últimas eleições. Esses projetos para impedir a candidatura de uma pessoa pertencem aos regimes mais sombrios, como o Irã”, destacou.

Depois de mencionar seu falecido pai, o professor Benzion Netanyahu, em um discurso no plenário na semana passada, desta vez, Netanyahu lembrou do pai de Lapid, o ex-ministro da justiça Yosef Tommy Lapid.

“Lapid, pare de agir contra a democracia”, disse Netanyahu. “Você é um falso democrata e seu pai era um verdadeiro democrata”.

Em resposta, Lapid disse que Netanyahu se esqueceu de mencionar que seu próprio pai lhe deu o conselho de nunca tocar em dinheiro. Ele disse que se Netanyahu tivesse seguido esse conselho, não teria sido indiciado.

“Seus inimigos, longe de ser o coronavírus, são a promotoria, os tribunais e a imprensa”, disse Lapid.