Knesset se reúne para votar o acordo de normalização de laços com os EAU

O Knesset se reuniu nesta quinta-feira para votar o acordo de normalização com os Emirados Árabes Unidos em uma sessão prevista para durar várias horas.

O debate começou às 11 horas, com declarações do presidente do Knesset, Yariv Levin, após o qual o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apresentou o acordo. O líder da oposição Yair Lapid também fez um discurso.

Depois disso, o debate foi aberto para que qualquer ministro ou membro do Knesset falasse por quatro minutos. Até o fechamento desta edição, cerca de 100 membros haviam pedido a palavra, o que significa que o debate pode durar mais de seis horas.

Espera-se que os parlamentares apoiem por grande maioria o acordo. Apenas a Lista Conjunta, de maioria árabe, se opôs, chamando o tratado de ‘acordo de armas’, e “não um tratado de paz’.

Os EUA e os Emirados Árabes Unidos devem assinar um acordo de venda de armas junto com o tratado de normalização nas próximas semanas. Washington pretende abastecer o estado do Golfo com, entre outros itens, caças stealth avançados F-35.

Na quarta-feira, a parlamentar da Lista Conjunta Aida Touma-Sliman condenou o acordo, dizendo que “visava minar a luta pelo fim da ocupação e eliminar a possibilidade de estabelecer um Estado palestino”.

A extrema direita israelense também teme o acordo porque nele Jerusalém se compromete “a trabalhar junto para promover uma solução negociada para o conflito israelo-palestino que atenda às necessidades e aspirações legítimas de ambos os povos”.

No cenário muito provável de que a maioria dos 120 parlamentares do Knesset vote a favor do tratado, ele retornará ao gabinete para ratificação.

Uma vez ratificado, o acordo entra em vigor em Israel, mas as relações diplomáticas plenas entre os dois países não serão estabelecidas até que os Emirados Árabes Unidos também ratifiquem o acordo.

Autoridades dos Emirados deram início ao processo de aprovação e ratificação do acordo, que foi assinado pelas duas partes em Washington em 15 de setembro, mas não está claro quando o processo será concluído.

Assim que ambas as partes ratificarem o acordo, o tratado será remetido ao secretário-geral das Nações Unidas para registro na Série de Tratados da ONU, um grande compêndio de tratados internacionais.

Paralelamente, autoridades israelenses e dos EAU estão atualmente negociando vários acordos bilaterais, incluindo sobre a abertura de embaixadas e um regime de vistos que permite aos israelenses visitar os Emirados Árabes Unidos.

O acordo foi submetido ao Knesset depois que os ministros por unanimidade deram sua aprovação inicial em uma votação na segunda-feira.

Netanyahu anunciou que ele e o líder de fato dos Emirados Árabes Unidos, o príncipe herdeiro Mohammed bin Zayed Al Nahyan, falaram no fim de semana e concordaram em se encontrar “em breve”, segundo informou o gabinete do primeiro-ministro .

A conversa foi a primeira entre os dois desde que foi anunciado no dia 13 de agosto o acordo para normalizar os laços entre os dois países.

A leitura não especificou onde a reunião aconteceria, mas Netanyahu disse que estava ansioso para hospedar uma delegação dos Emirados Árabes Unidos em Israel.

Seria “uma visita recíproca” após a viagem de 31 de agosto a Abu Dhabi de uma delegação israelense chefiada pelo Conselheiro de Segurança Nacional Meir Ben Shabbat, disse o primeiro-ministro.

Um comunicado divulgado pela agência de notícias oficial dos Emirados Árabes Unidos disse que Netanyahu iniciou a conversa e os dois discutiram “o avanço das relações bilaterais em vista do acordo de paz que os dois países assinaram recentemente”.