Kushner diz que EUA estão ‘abertos’ às propostas dos palestinos

Após a decisão dos palestinos de romperem com os EUA e Israel em resposta ao plano de paz americano para o Oriente Médio, Jared Kushner, assessor e genro de Donald Trump e autor do projeto, disse que as fronteiras previstas na proposta para Israel e para o futuro estado da Palestina não são imutáveis e que são “bem-vindas” as sugestões da Autoridade Palestina.

“Se há coisas que eles querem mudar, se não gostam das linhas sugeridas, eles devem vir conversar”, disse Kushner ao jornalista egípcio Amr Adeeb em uma entrevista para o programa de notícias El-Hekaya.

Mas Kushner também deixou claro que os EUA estavam avançando com planos para reconhecer a anexação israelense sobre os assentamentos na Cisjordânia, o que limitaria o território a ser negociado. Além disso, ele declarou que se a Autoridade Palestina não concordar em trabalhar com a proposta de paz do governo Trump, os assentamentos israelenses podem continuar a se expandir, tornando assim impossível o estabelecimento de um estado palestino.

Kushner, um dos principais arquitetos do plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os EUA estão trabalhando para chegar a um acordo com Israel que permita o adiamento da anexação israelense dos assentamentos na Cisjordânia.

Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou na terça-feira após a liberação do plano que pretendia obter a aprovação de seu governo para anexar o vale do Jordão e os assentamentos na Cisjordânia, já nesta semana, Kushner pediu ao país que aguardasse até as eleições de 2 de março.

Kushner disse que o acordo sobre o reconhecimento dos EUA da soberania israelense na Cisjordânia “levará alguns meses”, durante os quais os lados discutirão “cada centímetro” da Cisjordânia.

“Esta é a terra da qual eles (os israelenses) nunca mais irão embora, porque têm seu povo lá”, disse Kushner.

Kushner indicou, no entanto, que o objetivo dos EUA era conseguir um acordo no qual Israel não expandisse ainda mais os assentamentos. “O reconhecimento pelos EUA seria em troca de eles (os israelenses) pararem de expandir (os assentamentos)”.
“Porque se não fizermos isso, Israel continuará a expandir (os assentamentos) e não haverá outra oportunidade de criar um Estado palestino”, advertiu.