Líderes do partido neonazista grego Aurora Dourada são condenados a 13 anos de prisão

A Justiça da Grécia determinou, nesta quarta-feira, penas de prisão de até 13 anos para alguns dos principais líderes do partido neonazista Aurora Dourada, que chegou a ser a terceira maior força política do país após se popularizar durante a crise financeira. As sentenças foram emitidas exatamente uma semana depois de o tribunal determinar que a legenda é uma organização criminosa, banindo-a do cenário político grego.

O líder do grupo, Nikos Michaloliakos, foi condenado a 13 anos de prisão, assim como o eurodeputado Yiannis Lagos (foto), que perderá sua imunidade parlamentar, a pedido de Atenas, assim que a ordem de prisão for formalmente anunciada. O ex-porta-voz da sigla, Ilias Kasidiaris, e os ex-deputados Christos Pappas, Ilias Panagiotaros e Georgios Germenis receberam a mesma pena por “dirigirem uma organização criminosa”.

O ex-genro de Michaloliakos, Artemis Matthaiopulos, foi condenado a dez anos de prisão, enquanto outros onze ex-deputados receberam penas de cinco a sete anos por participarem do grupo. Na segunda, a Justiça rejeitou todas as medidas atenuantes que poderiam ter reduzido as penas dos principais nomes do Aurora Dourada.

As lideranças da sigla foram presas em 2013, após uma série de ataques suspeitos, entre eles o assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyss. O integrante do movimento que o esfaqueou, Giorgos Roupakias, foi condenado à prisão perpétua nesta quarta.

As sentenças são resultado do julgamento político mais importante que a Grécia viu nos últimos anos. A decisão pôs fim a um julgamento que começou há cinco anos, em uma corte improvisada na maior prisão de segurança máxima do país, em Atenas.

Criado na década de 1980 por Michaloliakos, ex-integrante do Exército grego, o partido se fortaleceu em meio à crise financeira de 2012, num clima de descontentamento com a austeridade fiscal e o sentimento xenofóbico. Enquanto esteve no Parlamento, entre 2012 e 2019, manteve sua popularidade com slogans e políticas patrióticas, mas nunca abandonou seus elos com outros movimentos neonazistas.

O julgamento, no entanto, custou caro para o grupo, que viu o apoio popular se esvair e não conseguiu nenhum assento nas eleições parlamentares de 2019. Ainda assim, a ameaça neonazista continua presente na Grécia: ex-integrantes da sigla, como Kasidiaris, formaram suas próprias legendas com ideias similares, enquanto outros partidos de extrema direita, mesmo que menos radicais, também despontaram.

O Aurora Dourada, por sua vez, nega sistematicamente qualquer elo com os ataques e classifica o julgamento como uma “conspiração com motivações políticas”.