Lieberman impõe condições para apoiar o Azul e Branco; Gantz aceita

O líder do partido de Yisrael Beytenu (Israel Nossa Casa), Avigdor Lieberman, apresentou neste domingo (8) cinco pré-condições para ingressar em uma coalizão com o centrista Azul e Branco, de Benny Gantz. Entre as exigências estão a redução das restrições para conversão ao judaísmo e a liberação do transporte público no Shabat, medidas que nunca seriam aceitas pelos aliados ultraortodoxos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Gantz aceitou as exigências de Lieberman, afirmando em tuíte: “Concordo. Temos que seguir em frente”.

Antes um aliado próximo de Netanyahu, Lieberman se tornou um obstáculo para o primeiro-ministro desde maio de 2019, quando sua insistência pela adoção de uma agenda secularista, durante as negociações para a formação de uma coalizão após a eleição de abril, impediu a concretização de qualquer acordo, levando a um impasse político e à convocação de nova votação.

Na votação da semana passada, Lieberman conquistou sete cadeiras no Knesset, como parte de um bloco de 62 legisladores que se opõem a Netanyahu – o primeiro-ministro e seus aliados conquistaram 58 cadeiras.

No domingo, Lieberman postou no Facebook suas condições para ingressar em uma coalizão. Em uma delas, ele reivindica uma remuneração mensal de pelo menos 70% do salário mínimo em Israel para todos os aposentados que vivem de suas aposentadorias ou de rendimentos.

Todas as outras demandas dizem respeito a questões que envolvem religião e estado.

Ele exigiu que o direito de decidir sobre o funcionamento do comércio e do transporte público durante o Shabat passe a ser dos municípios e conselhos locais.

Outra exigência seria o compromisso para a aprovação de um projeto de lei que torne obrigatório o serviço militar também para os estudantes de yeshivas e os ultraortodoxos.

Outra exigência de Lieberman é a aprovação do casamento civil em Israel, atualmente controlado pelas autoridades religiosas.

Ainda não está claro, porém, como Lieberman e Gantz pretendem formar um governo para remover Netanyahu do poder. Ambos rejeitaram o apoio da Lista Conjunta árabe, com suas 15 cadeiras no Knesset. O próprio Liberman chamou os legisladores árabes de “uma quinta coluna”.

Mas Gantz e Lieberman podem ser forçados a buscar o apoio árabe, primeiro para garantir que Gantz receba a maioria das recomendações dos legisladores diante do presidente Reuven Rivlin, que julgará quem estará mais apto a formar uma coalizão de governo, se houver novo impasse.

O grupo mais radical da Lista Conjunta – o Balad – também divulgou neste domingo um conjunto de exigências para apoiar Gantz.

O Canal 12 informou na noite de sábado que o plano atual é formar um governo ao lado de Labor-Gesher-Meretz (totalizando 40 de 120 assentos Knesset), com o apoio do Yisrael Beytenu (7) e da Lista Conjunta (15).

Gantz e seus aliados formariam um governo de emergência para tentar acabar com o impasse político que paralisa Israel há quase um ano, admitindo a possibilidade de receber qualquer membro do bloco de direita de Netanyahu que deseje se juntar a eles.

Lieberman disse que “não há a menor possibilidade” de ele ingressar em um governo liderado por Netanyahu, por divergências com seu bloco religioso e pelo fato de o premier ir a julgamento em três casos de corrupção.

“O mais importante agora é garantir que (o líder do Azul e Branco) Benny Gantz receba o mandato (para formar um governo)”.