Live sobre os 50 anos da chegada do rabino Henry Sobel ao Brasil reúne mais de 750 pessoas

Realizada ontem pelo YouTube e vários canais, a live sobre os 50 anos da chegada do rabino Henry Sobel ao Brasil reuniu mais de 750 participantes, que debateram o legado e a importância do líder judaico para sua comunidade e para a sociedade brasileira.
A live foi realizada pelo Projeto Henry Sobel de História e Memória, que incluirá a realização de um documentário de longa-metragem para cinema e TV sobre a trajetória do rabino; do livro Meu caso com o rabino Sobel; um audiobook e um portal que será o repositório desse material.

Para Jayme Brener, coordenador do projeto, Sobel “foi um personagem único; a comunidade judaica do Brasil é uma antes e outra depois da chegada do rabino”. Para Fernando Navarro, mediador da live, o principal legado de Sobel foi integrar a comunidade judaica à sociedade brasileira, vacinando-a contra o antissemitismo.

Para Fernando Lottenberg, presidente da Conib, foi a atuação do rabino Sobel, muitas vezes, destemida, que fez com que a comunidade judaica ganhasse maior visibilidade no país, “a partir dos valores humanistas que ele vocalizava, ancorados firmemente na nossa tradição. Ele representou como poucos a comunidade judaica. Atraía um olhar positivo para os judeus e tornou mais claro que nós somos brasileiros, nos importamos com o país e sua gente”.

“Parabenizo pela iniciativa de não nos fazer esquecer do rabino Henry Sobel. Como se isso fosse possível para quem teve a oportunidade de compartilhar com ele seus pensamentos e suas ações como ser humano e como judeu universal. Foi um notável porta-voz da comunidade judaica no Brasil e estabeleceu uma ponte entre as demais religiões e o judaísmo”, disse Abraham Goldstein, presidente da B’nai B’rith.

Para Cláudio Lottenberg, presidente do Conselho do Hospital Israelita Albert Einstein, Sobel dignificou a comunidade judaica e a capitaneou de forma exemplar. “Um dos momentos mais difíceis foi quando tivemos que confrontar o papel do presidente da República num movimento em favor do presidente do Irã. O rabino foi absolutamente impecável no reconhecimento daquela atitude”.
Daniel Bialski, presidente do clube A Hebraica, lembra que Sobel era uma pessoa de luz própria. “Onde ele aparecia, todas as pessoas admiravam e refletiam a respeito das frases, das prédicas e do que ele estava tentando nos ensinar. Ele estava à frente do seu tempo; dizia que podemos ter diferenças, mas não devemos ter divisões. Todos temos de continuar a cumprir a missão de Sobel: tolerância, união, respeito”.

Jack Terpins, ex-presidente do Congresso Judaico Latino-americano, lembrou uma passagem quando estava no Vaticano, com uma delegação judaica. “O chefe do cerimonial logo perguntou: ‘onde está o rabino Sobel?’ Também lembrou que, em uma cerimônia na catedral da Sé, os padres fizeram fila para pedir bênção ao rabino.”

“No contexto em que nós vivemos hoje, diante das mais de 100 mil mortes pela pandemia da Covid-19, acredito que o rabino Sobel já teria se pronunciado em todas as mídias. Ele também já teria se manifestado sobre as vítimas da intolerância religiosa nesse contexto de ódio em que vivemos”, disse o padre José Bison, coordenador da parte católica da Comissão Nacional do Diálogo Religioso Católico-Judaico

Para Mario Fleck, presidente da CIP, “Henry Sobel foi um marco na comunidade judaica”. “Ele teve um papel fundamental nos conturbados anos 1970 no Brasil, agindo com coragem e seguindo os valores judaicos”, afirmou Miriam Vasserman, Diretora da Federação Israelita do Estado de São Paulo.

Para Michel Schlesinger, rabino da CIP, “o judaísmo de Henry Sobel nunca foi um fim em si mesmo, mas uma ferramenta de aprimoramento e transformação do mundo. Ele foi o maior representante que a comunidade judaica brasileira já teve; inseriu a comunidade na sociedade maior, com o mais belo que o judaísmo tem, a busca obsessiva pela justiça social e pela ética”.
E Alisha Sobel, filha do rabino Henry Sobel, disse estar “quase anestesiada” de tanta emoção. “Eu sempre tive muito orgulho do que o rabino Sobel representava. Ele sempre abdicou muito da vida pessoal para se dedicar à vida profissional. Foi por um propósito maior. Sempre o apoiei incondicionalmente”, finalizou.

Site do Projeto Henry Sobel: henrysobel.com.br
Facebook: Projeto Henry Sobel