Em seis meses, Irã pode produzir material suficiente para a fabricação de bomba, avalia ministro israelense

O ministro da Energia de Israel, Yuval Steinitz, advertiu hoje que o Irã pode levar cerca de seis meses para produzir material suficiente para fabricar uma única bomba atômica e de um a dois anos para desenvolver armas nucleares – uma previsão de quase o dobro do tempo calculado pelo novo secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken.

Israel receia que o governo do presidente Joe Biden esteja disposto a retomar o acordo nuclear de 2015 com o Irã. Washington argumenta que a saída dos EUA do acordo, decidida pelo governo de Donald Trump, levou o Irã a abandonar as limitações previstas no pacto para as atividades nucleares.

Falando no mês passado, um dia antes de assumir o cargo de secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken disse que o chamado “tempo de fuga” – em que o Irã pode aumentar o enriquecimento de urânio para a pureza necessária para a fabricação de uma bomba – “passou de mais de um ano (sob o acordo) para cerca de três ou quatro meses”. Ele disse que baseou seus comentários em informações de relatórios.

Mas o ministro da Energia, Yuval Steinitz, em entrevista a uma emissora de rádio, disse que o governo Trump conseguiu “danificar seriamente o projeto nuclear do Irã” e a capacidade do país de desenvolver armas nucleares.

“Em termos de enriquecimento, eles (os iranianos) estão em uma situação de estourar em cerca de meio ano se fizerem tudo o que é necessário”, disse ele à emissora pública Kan. “Quanto ao armamento nuclear, o alcance é de um ou dois anos”.

O Irã, que nega buscar o desenvolvimento de armas nucleares, recentemente acelerou suas violações do acordo em resposta à saída dos EUA e a retomada das sanções contra o país.

As últimas estimativas do órgão de vigilância nuclear da ONU em novembro mostram que o estoque de urânio enriquecido do Irã aumentou para 2,4 toneladas, mais de 10 vezes a quantidade permitida pelo acordo.

Desde então, o Irã começou a enriquecer urânio com maior pureza, retornando aos 20% que alcançava antes do pacto, de um máximo anterior de 4,5%. O acordo estabelece um limite de 3,67%, bem abaixo dos 90% necessários para a produção de armas.

Foto por Yonatan Sindel/Flash90.