Mais de mil parlamentares de toda a Europa pedem “ação decisiva” contra a anexação

Mais de mil parlamentares de toda a Europa assinaram na terça-feira uma declaração contra a anexação planejada por Israel de partes da Cisjordânia, pedindo ações decisivas para impedir a mudança e medidas punitivas, se seguir adiante.

“Nós, parlamentares de toda a Europa, comprometidos com uma ordem global baseada em regras, compartilhamos sérias preocupações sobre o plano do presidente dos EUA [Donald] Trump para o conflito Israel-Palestina e a perspectiva iminente de anexação israelense do território da Cisjordânia. Estamos profundamente preocupados com o precedente que isso criaria para as relações internacionais em geral”, dizia o comunicado.

A anexação seria “fatal para as perspectivas da paz entre israelenses e palestinos e desafiará as normas mais básicas que norteiam as relações internacionais”, continuou.

A declaração foi assinada por parlamentares pertencentes a partidos de todo o espectro político de 25 países, incluindo alguns considerados muito amigáveis com Israel, como Alemanha e Hungria. Foi noticiado pela primeira vez pelo jornal Haaretz.

“Estamos profundamente preocupados com o impacto da anexação na vida de israelenses e palestinos, bem como o seu potencial desestabilizador em uma região à porta do nosso continente”, afirmou.

A declaração continuou pedindo aos líderes europeus que “agissem de forma decisiva em resposta a esse desafio”.

“A Europa deve liderar a união de agentes internacionais para impedir a anexação e salvaguardar as perspectivas da solução de dois estados e uma solução justa para o conflito”, afirmou.

O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, prometeu que a anexação “não poderia passar sem contestação”, observou o comunicado.

“Apoiamos totalmente isso: a aquisição do território pela força não tem lugar em 2020 e deve ter consequências proporcionais”, dizia na carta.

“A falta de resposta adequada incentivaria outros estados com reivindicações territoriais a desconsiderar os princípios básicos do direito internacional. A ordem global baseada em regras é fundamental para a própria estabilidade e segurança da Europa a longo prazo. Temos um profundo interesse e responsabilidade em protegê-la”, acrescentaram.

Uma solução duradoura para o conflito entre israelenses e palestinos deve “garantir direitos iguais para israelenses e palestinos”, prosseguiu a declaração. “A Europa tem as ferramentas diplomáticas para promover esse objetivo justo, e estamos prontos para apoiar esses esforços”.

Também nesta terça-feira, mais de cem parlamentares da Europa e Israel assinaram uma carta a Borrell convidando Bruxelas a convocar o Conselho de Associação UE-Israel, reuniões ministeriais que geralmente acontecem anualmente, mas que estão suspensas desde 2012 devido a divergências sobre o processo de paz.

Na carta, iniciada por Antonio López-Istúriz White, presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com Israel, os parlamentares lamentavam que o Conselho não realizasse uma reunião formal há quase uma década, “apesar dos desafios e interesses comuns significativos”.

Os signatários, entre os quais o ex-primeiro-ministro francês Manuel Valls, o líder da oposição israelense Yair Lapid e o parlamentar Gideon Sa’ar, instaram a UE a relançar o Conselho como um “fórum eficaz para estreito diálogo e consulta”.

“Israel é um parceiro-chave da União Europeia e devemos manter estreita cooperação e diálogo contínuo”, disse terça-feira o espanhol López-Istúriz White.