Mensagem de Pessach da Conib

O Presidente da Conib, Fernando Lottenberg, envia à comunidade judaica uma mensagem de Pessach, que se inicia na noite desta quarta-feira, 8 de abril. Leia abaixo e veja o vídeo.

“Caros amigos

Estamos nos aproximando da época de Pessach, certamente um dos eventos judaicos mais marcantes, tanto em termos de formação de identidade como de significado.

Pessach, em hebraico, quer dizer Passagem: a passagem de uma margem à outra do rio, de um modo de vida a outro, do estado de escravidão para a responsabilidade de sermos livres. Uma das expressões mais utilizadas no seder é justamente esta:
Por que esta noite é diferente de todas as outras?

A primeira noite de Pessach terá início na próxima quarta feira, dia 08 de abril, e a pergunta acima é a essência que desperta a curiosidade para o evento, que costuma ser celebrado em família.

As famílias se reúnem e contam uma história que se deu aproximadamente há 2500 anos, segundo a tradição. A narrativa é feita com o objetivo de nos convidar a tomar o lugar dos nossos antepassados e tentar entender o que passaram e viveram naquele contexto – e que escolhas fizeram. O judaísmo ancora sua tradição, simultaneamente, nas memórias do passado e no seu significado contemporâneo.

A história conta pragas milagrosas que nos salvaram; hoje, trabalhamos pelo fim de uma delas.

O Seder é quando tradicionalmente nos reunimos com familiares, amigos e até estranhos. “Que todo aquele que tenha fome venha e coma”, costumamos dizer. Hoje em dia, muitos de nós não podemos estar na mesma casa que nossos próprios pais ou filhos, por conta do isolamento físico.

Há no ar uma inevitável decepção, por não conseguirmos celebrar como estamos acostumados.

Mas vamos lembrar que toda a celebração está enraizada em um momento em que a vida se desenrolou de maneira muito inesperada – e, no final, foi possível encontrar um sentido, que chegou até a libertação.

A Páscoa é como a célula-tronco do povo judeu, uma reserva de material de base com a capacidade comprovada de gerar novos significados e consolo, em circunstâncias ainda mais extremas do que estamos vivendo agora.

Vivemos tempos difíceis e um futuro ainda desconhecido. Este certamente é o maior desafio da nossa geração. A humanidade sempre respondeu de forma decisiva quando foi desafiada, e desta vez não será diferente.

A maioria do povo judeu, ao longo da história, nunca viveu de forma livre, vivemos sob regimes tirânicos, passamos por fome ou pandemias como a atual, fomos perseguidos injustamente, mas sempre nos dedicamos à ideia que a liberdade é algo que vale a pena buscar.

É por isso que os judeus observaram a Páscoa nos porões, durante a Inquisição; mantiveram esse costume durante as Cruzadas, no decorrer dos tempos sombrios do Holocausto – em guetos, campos de concentração e florestas.

Este ano, faremos o que muitos fizeram antes de nós: manifestar nossa esperança na liberdade, este valor tão importante para todos que vivem -e aqueles que ainda não têm esse privilégio – em sociedades democráticas e livres.

Essa é a nossa obrigação. Ainda mais agora, em que estamos momentaneamente privados de nossa liberdade de ir e vir, confinados circunstancialmente pelo bem de todos.

Que tenhamos um período de uma Páscoa libertadora e significativa e que em breve possamos estar vivendo tempos melhores, juntos como comunidade e humanidade.

Chag sameach!”