Mensagem do governo com alusão ao nazismo agride vítimas do Holocausto, diz rabino

Uma mensagem publicada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), com uma construção próxima à de um slogan do nazismo, “agride a memória de vítimas do Holocausto e ofende a sensibilidade de sobreviventes”, diz à BBC News Brasil Michel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista (CIP) e representante da Confederação Israelita do Brasil (Conib) para o diálogo inter-religioso.

No domingo (10), em mensagem com críticas à imprensa no Twitter, a Secom afirmou que “o trabalho, a união e a verdade libertarão o Brasil”.

A expressão “o trabalho liberta” estava inscrita na entrada do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde se estima que a máquina de guerra nazista tenha assassinado 1,3 milhão de pessoas – principalmente judeus, mas também poloneses cristãos, ciganos e soviéticos.

Em entrevista à BBC News Brasil, Schlesinger diz que o episódio se soma a uma série de ocasiões em que o governo Bolsonaro se portou de maneira condenável em relação ao regime nazista.

O episódio ocorre poucos dias após o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ser criticado por várias organizações judaicas por comparar a quarentena gerada pelo novo coronavírus aos campos de concentração.