Mês de janeiro responde por 30% das mortes por Covid-19 em Israel e país decide estender bloqueio

Dados do Ministério da Saúde divulgados nesta segunda-feira revelaram que cerca de um terço do total de mortes por Covid-19 em Israel ocorreu apenas em janeiro, tornando o período com maior número de mortos desde o início da pandemia.

O número total de mortos ficou em 4.796, com 1.433 dessas mortes ocorridas em janeiro – pouco menos de 30 por cento. Esse número deve aumentar no final do dia, com a atualização de dados.

As taxas de infecção permaneceram altas com 5.140 novos casos confirmados no domingo, e a taxa de positividade de testes ficou em 9,7%.

O total de casos atingiu 646.277, incluindo 68.331 casos ativos. Destes, 1.140 pacientes estão em estado grave, incluindo 390 em estado crítico e 315 em ventiladores.

O ministério disse que 3.081.162 israelenses receberam a primeira dose da vacina e 1.790.121 receberam as duas vacinas.

De acordo com dados divulgados por uma força-tarefa militar nesta segunda-feira, a taxa de transmissão de Israel começou a subir novamente depois de cair por várias semanas. O número básico de reprodução, ou R, que é o número de novos casos decorrentes de cada infecção por coronavírus, ou o número de pessoas que contraíram o vírus através de outra infectada, era de 0,96, tendo caído para 0,9 uma semana antes.

No entanto, os dados mostram que houve uma redução no número de novos casos e de pacientes graves com mais de 60 anos, queda que pode ser atribuída à ampla campanha de vacinação, que começou com essa faixa etária.

Os números foram divulgados depois que o gabinete votou pela extensão do bloqueio nacional, que fechou empresas não essenciais e a maioria das escolas no mês passado, até sexta-feira às 7h da manhã.

O Aeroporto Internacional Ben Gurion ficará fechado até o próximo domingo, e o gabinete decidiu reimpor a partir de terça-feira uma quarentena obrigatória em hotéis estatais àqueles autorizados a entrar no país.

Os ministros devem se reunir na quarta-feira para decidir se estendem ainda mais o bloqueio, o terceiro de Israel desde o início da pandemia. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vinha pressionando pela prorrogação em pelo menos uma semana e o ministro da Defesa, Benny Gantz, insistiu que termine na quinta-feira.

As discussões ministeriais de domingo à noite aconteceram depois de dois funerais que reuniram milhares de ultraortodoxos em Jerusalém, em violação das restrições do bloqueio, gerando nova indignação entre políticos, a sociedade e empresários, que tiveram seus negócios afetados pelos bloqueios.

O ministro das Finanças, Israel Katz, pediu nesta segunda-feira que todo o comércio seja aberto assim que o bloqueio terminar, contestando a alegação do vice-ministro da Saúde, Yoav Kisch, um dia antes de que o bloqueio salvou 2.000 vidas.

“Não acho que isso seja verdade”, disse Katz à emissora pública Kan. “Todos os negócios devem ser abertos imediatamente no final do bloqueio. Esses lugares não são uma fonte de infecção, mas sim um lugar de sustento. O fato é que quando foram fechados, a morbidade ainda subia”.

O bloqueio restrito entrou em sua quarta semana no domingo, mas não reduziu as infecções de forma significativa. Novos casos e mortes se acumularam em um ritmo preocupante, apesar do sucesso da campanha de vacinação de Israel.

Também no domingo, o Knesset aprovou um projeto de lei intensificando a aplicação do bloqueio, dobrando os valores das multas para os violadores das medidas. Gantz e seu partido Azul e Branco exigiram a aprovação das medidas antes de realizar a reunião sobre a extensão do bloqueio, entrando em desacordo com os aliados ultraortodoxos de Netanyahu na coalizão de governo.

O site de notícias Walla relatou que, apesar do aumento nos valores das multas, instituições de ensino Haredi abriram suas portas na manhã desta segunda-feira em vários locais, incluindo a cidade predominantemente ultraortodoxa de Bnei Brak e partes de Jerusalém.

Foto: Olivier Fitoussi/Flash90