GEOFFROY VAN DER HASSELT / AFP)

Milhares saem às ruas na França, Israel, Reino Unido e EUA para protestar contra sentença que inocentou o assassino de Sarah Halimi

Milhares de pessoas saíram às ruas neste domingo na França, Israel, Reino Unido e EUA para protestar contra decisão da Corte de Apelações francesa que considerou inocente o assassino da judia Sarah Halimi. No Brasil, houve um ato virtual Organizado pela Juventude Judaica Organizada, de apoio à Halimi e contra a decisão da corte francesa.
Sob a bandeira de “Justiça por Sarah Halimi”, na França, o protesto na Praça Trocadero com vista para a Torre Eiffel refletiu a indignação generalizada de muitos judeus franceses com a decisão de 14 de abril da mais alta corte de seu país.
O evento foi realizado sob estritas medidas de segurança em local isolado onde o Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF) exibiu um vídeo em uma tela gigante em que o rabino-chefe francês Haim Korsia exigia outro “julgamento dos fatos”, mesmo que termine sem a condenação de Traoré.
O Movimento de Combate ao Antissemitismo (CAM), que convocou as manifestações, fez apelo por um protesto global contra a decisão “injustificável” da Corte de Apelações francesa de inocentar o assassino de Sarah Halim – uma judia ortodoxa de 65 anos — por ele estar sob efeito psicótico pelo uso de maconha no momento do crime.
A organização, que reúne vários grupos que lutam contra o antissemitismo, afirmou que a campanha, que utiliza as hashtags #JusticeForSarah e #JeSuisSarah, visa mostrar solidariedade à família de Halimi e à comunidade judaica da França, cujos líderes convocaram uma grande manifestação em Paris neste domingo em protesto contra a decisão da Corte francesa.
Halimi foi morta em 2017 por seu vizinho Kobili Traoré, que a espancou e depois a atirou pela janela de seu apartamento em Paris, gritando “Allahu Akbar” (“Deus é grande” em árabe).
No início deste mês, a Suprema Corte de Apelações manteve as decisões dos tribunais inferiores, confirmando que Traoré não pode ser julgado porque estava sob efeito de drogas e que, por isso, não poderia ser responsabilizado criminalmente por suas ações.
“A recente decisão da justiça francesa abre um precedente perigoso de que crimes antissemitas podem ficar impunes. É um golpe não apenas para a família de Sarah Halimi e para os judeus franceses, mas para qualquer pessoa que se preocupa profundamente com o combate ao racismo, antissemitismo e intolerância. E isso não pode ficar sem contestação”, disse Sacha Roytman-Dratwa, diretor do Movimento de Combate ao Antissemitismo.
“Ao reunir nossas vozes e falar em uma só voz, podemos fazer uma declaração poderosa para o mundo de que o antissemitismo não será justificado ou tolerado”, disse ele.
Johann Habib, advogado formado na França e ativista comunitário que vive em Israel, organizou três manifestações de protesto em Israel neste domingo para coincidir com o evento da comunidade judaica em Paris. A principal manifestação foi em frente à Embaixada da França na Rua Herbert Samuel em Tel Aviv.
A comunidade judaica no Reino Unido também se manifestou em frente à Embaixada da França em Londres neste domingo, em solidariedade aos judeus da França. A participação foi limitada devido às restrições do Covid-19.
Outros protestos foram realizados em várias cidades dos EUA, incluindo Nova York, Los Angeles e Miami.
Israel criticou a decisão do tribunal francês na semana passada.
“Sarah Halimi foi assassinada por motivos claramente antissemitas, pelo único fato de ser judia”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lior Hayat, ao Times of Israel. “Este foi um crime covarde que atingiu não apenas a própria vítima e sua família, mas também o senso de segurança de toda a comunidade judaica”.
“A maneira de enfrentar o antissemitismo é por meio da educação, tolerância zero e punições pesadas”, continuou Hayat. “E esta não foi a mensagem que a decisão do tribunal transmitiu”.
Na sequência da decisão, o presidente francês Emanuel Macron expressou apoio à comunidade judaica do país e prometeu empenho para levar o assassino de Halimi a julgamento. Ele disse que buscará uma mudança nas leis para evitar que tal caso não aconteça novamente.

Foto: GEOFFROY VAN DER HASSELT / AFP