Mudança de embaixada será o primeiro passo para uma aproximação cada vez maior com Israel, diz Eduardo Bolsonaro

Em longa entrevista ao Times of Israel, o filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, que preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, disse que a transferência da embaixada para Jerusalém é apenas o começo de uma mudança de 180 graus na política externa brasileira, que inclui a proibição do grupo terrorista Hezbollah e o reconhecimento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

“Não acho que, se mudarmos a embaixada, sofreremos retaliação (dos países árabes) contra nossos produtos brasileiros. Acho que isso não vai acontecer. O que queremos é ter um bom relacionamento com todos. Não queremos participar desse conflito. Mas acreditamos que quem decide onde fica a capital de um país é a autoridade máxima, o primeiro-ministro ou o Parlamento”, afirmou.

Eduardo Bolsonaro foi a Israel no domingo para uma visita de meio dia para abrir o escritório comercial do Brasil em Jerusalém, quando prometeu que a transferência da missão diplomática brasileira de Tel Aviv para essa cidade ocorrerá em algum momento do próximo ano.

Na entrevista ao Times of Israel concedida minutos antes de se encontrar com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para a inauguração do escritório comercial em Jerusalém, Eduardo Bolsonaro disse que o Brasil pretende declarar o Hezbollah como organização terrorista e reconhecer a legalidade dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Na ocasião, ele brincou com a ideia de fechar a embaixada palestina no Brasil.

Ele também se recusou a endossar a solução de dois Estados, afirmando que pode ser difícil para Israel se retirar de qualquer território que controla atualmente até que seus vizinhos árabes reconheçam o Estado judeu.

“Podemos mudar tudo”, disse ele, ao afirmar que o Brasil quer uma aproximação cada vez maior com Israel. Por enquanto, o foco está no cumprimento da promessa da campanha de Bolsonaro de mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, disse.

“Estamos apenas esperando o melhor momento para fazer isso”, disse ele. “Cabe ao presidente, esta decisão. Mas ele já disse, em várias oportunidades, que fará isso”.

Ele citou o Paraguai, país vizinho do Brasil que transferiu sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém em maio de 2018, mas reverteu a decisão menos de quatro meses depois, como uma razão para uma abordagem mais cautelosa do governo brasileiro.

“Sim. Isso vai acontecer. Vamos fazer isso de maneira inteligente”, disse ele sobre a mudança da embaixada, falando em inglês. “É melhor levar um pouco mais de tempo e fazer a coisa certa do que tomar a decisão errada e ter que dar um passo atrás”.

Ele previu que, como o maior e mais poderoso país da América do Sul, o Brasil ajudaria outras nações a seguir o exemplo. “Quando o Brasil der um bom passo, como mudar a embaixada, com certeza terá mais força para incentivar os demais países da região a fazerem o mesmo”.

Até o momento, apenas a Guatemala seguiu o exemplo dos EUA e transferiu sua embaixada para Jerusalém. A Hungria, República Tcheca e outros países abriram escritórios simbólicos de comércio ou cultura em Jerusalém, com o objetivo de preservar um delicado equilíbrio entre as alianças com Israel, com os Estados Unidos e países árabes.

O Brasil, que se tornou o mais recente país a abrir um pequeno escritório comercial em Jerusalém, teria evitado transferir a embaixada para lá, por temer que isso pudesse prejudicar seus negócios como o maior exportador mundial de carne halal.

Eduardo Bolsonaro observou que seu pai atuou para reforçar os laços comerciais com os Estados do Golfo Pérsico, indicando que a transferência da embaixada não afetaria essas relações.

Os líderes palestinos criticaram a abertura do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) em Jerusalém, dizendo que a iniciativa é “ilegal” e instando os países árabes a boicotar o Brasil. Hanan Ashrawi, da Organização de Libertação da Palestina, chegou a acusar o Brasil de “cumplicidade” em crimes de guerra israelenses e de ser responsável por “mais violência e instabilidade” na região.