Na ONU, Abbas rejeita plano dos EUA; Israel diz que líder palestino não quer paz

Em discurso hoje no Conselho de Segurança da ONU, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, contestou o plano de paz do presidente Donald Trump para o conflito israelo-palestino.

“Não podemos aceitar que os EUA sejam o único mediador. Espero que o presidente Trump seja justo para que possamos ter a oportunidade de alcançar a paz. Não somos terroristas; estamos lutando contra o terrorismo, disse Abbas ao Conselho da ONU, ao rejeitar o que chamou de “deturpações israelenses”.

Ele se referia às declarações do embaixador israelense, na ONU, Danny Danon, que, pouco antes do discurso de Abbas, disse que a Autoridade Palestina incita a violência contra israelenses e não quer a paz.

“Quando ele inicia seu 16º ano de mandato de quatro anos, fica claro que Abbas não se importa com a paz”, disse Danon. “O povo palestino merece um líder como o (ex-presidente egípcio) Anwar Sadat, como o (ex-jordaniano) rei Hussein, um líder comprometido com a paz. E o Sr. Abbas não é esse líder”.

Abbas também contestou a conhecida afirmação de que os palestinos não perdem uma oportunidade de perder uma oportunidade.
“Os palestinos não desperdiçam uma oportunidade de desperdiçar uma oportunidade. Nunca desperdiçamos oportunidades de paz. Por outro lado, os governos israelenses e os assentamentos israelenses destruíram todas as oportunidades de paz. Eles estão construindo assentamentos com impunidade. Eles confiscaram terras. Eles continuaram sua guerra com nosso povo na Faixa de Gaza, apoiados infelizmente pelo governo dos EUA”.

Abbas disse ainda que, quando se reuniu com o presidente Donald Trump, em 2017, foi-lhe prometido que os EUA apoiariam várias reivindicações dos palestinos. “Mas algo aconteceu que levou (o país) a mudar de ideia e apoiar plenamente os desejos de Israel”.

“Não sei quem lhe deu esse conselho inaceitável. Eu sei que Trump não é assim. O presidente Trump que conheci não é assim”.

O presidente da AP Abbas diz que acredita que a paz ainda é possível, mas que não virá através do plano de paz de Trump.

“Eu vim até aqui hoje para dizer que a paz entre israelenses e palestinos ainda é possível. É realizável. Eu vim para construir uma parceria internacional para a paz, mas devemos rejeitar esse plano injusto”, disse.

Ele diz que foi elaborado por um país (os EUA), em nome de outro país (Israel), na tentativa de impor termos aos palestinos em violação do direito internacional e das resoluções da ONU.