Jonathan Erns/Reuters

Na primeira ação militar de Biden, EUA atacam milícia apoiada pelo Irã na Síria

Na primeira ação militar dos EUA sob a liderança de Joe Biden, o presidente americano mirou um inimigo notório: o Irã. O democrata ordenou um ataque aéreo nesta quinta-feira (25) no leste da Síria contra instalações pertencentes a uma milícia apoiada pelo Irã, em uma resposta a ataques de foguetes contra alvos americanos no Iraque.

Os ataques aparentam ser de escopo limitado, diminuindo assim o risco de uma escalada de tensões. Eles foram uma resposta dos EUA a uma iniciativa contra uma base militar americana no Iraque há dez dias, que acabou com um civil morto, além de seis feridos, entre eles um soldado americano.

A decisão de Biden de atacar apenas na Síria e não no Iraque, ao menos por enquanto, também dá a Bagdá um respiro enquanto conduz investigações da empreitada do dia 15 de fevereiro.

“Sob a direção do presidente Biden, forças militares americanas mais cedo nesta noite conduziram ataques aéreos contra uma infraestrutura utilizada por grupos militantes apoiados pelo Irã no leste da Síria”, afirmou o porta-voz do Pentágono, John Kirby, em comunicado.

Ele acrescentou que os ataques destruíram diversas instalações no ponto de controle de fronteira utilizado por grupos como Kata’ib Hezbollah e Kata’ib Sayyid al-Shuahada.

Autoridades americanas ouvidas pelo New York Times afirmaram que a ação militar foi uma pequena demonstração: uma bomba lançada sobre um pequeno aglomerado de edifícios na fronteira entre a Síria e o Iraque, usado para o trânsito de milícias e armamentos.
Outro oficial de Washington, falando sob condição de anonimato à agência de notícias Reuters, afirmou que a decisão de levar a cabo os ataques era para ser entendida como um sinal de que os EUA não querem que a situação se torne uma espiral maior de conflito, ainda que tenham punido as milícias.

A ação foi na fronteira justamente para evitar um contra-ataque diplomático ao governo iraquiano. O Pentágono ofereceu uma gama com alvos maiores a Biden, mas o presidente aprovou o de menor escala, afirmaram as autoridades ao jornal americano. Ainda não está claro que tipo de dano foi causado nem se houve vítimas.

O ataque à base militar americana em 15 de fevereiro ocorreu dias antes de os EUA fazerem seu primeiro movimento oficial para voltar ao acordo nuclear com o Irã -Washington deixou o tratado em 2018, na gestão de Donald Trump.

Não se sabe ainda como e se a escalada de tensões terá impacto nos esforços para a retomada do pacto de 2015.

Foto: Jonathan Erns/Reuters