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Netanyahu acusa o Irã de envolvimento na explosão que atingiu navio israelense no Golfo

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou o Irã de envolvimento na explosão que atingiu um navio de carga israelense no Golfo de Omã na semana passada.

“Esta é de fato uma ação do Irã, é claro”, disse o primeiro-ministro à emissora pública Kan.

Questionado sobre se Israel responderia ao ataque ao navio, Netanyahu disse que o Irã “é o maior inimigo de Israel e estamos atacando-o em toda a região”.

O primeiro-ministro disse que comunicou aos Estados Unidos que Israel não permitirá que Teerã tenha armas nucleares, não importa quais sejam os termos de qualquer possível acordo multinacional.

“Os iranianos não terão armas nucleares, com ou sem acordo. Eu também disse isso ao meu amigo (presidente dos EUA, Joe) Biden”, disse Netanyahu.

O Irã respondeu à declaração de Netanyahu, dizendo que “rejeita veementemente” a acusação de envolvimento na explosão no navio. Em uma coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh, disse que Netanyahu estava “sofrendo de uma obsessão pelo Irã”.

Os comentários de Netanyahu foram feitos em uma entrevista pré-gravada no domingo, antes que a mídia estatal síria relatasse que os sistemas de defesa aérea foram ativados em torno de Damasco devido a um ataque israelense, que, segundo relatos, seria em resposta à explosão no navio.

Um relatório divulgado pela agência de notícias oficial Sana afirmou que os militares sírios interceptaram vários mísseis israelenses.

Não houve comentários de Israel sobre essas ações. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base na Grã-Bretanha, disse que o ataque atingiu a área de Sayyida Zeinab ao sul de Damasco, região que abriga membros da Guarda Revolucionária Iraniana e do grupo terrorista libanês Hezbollah.

Israel realizou centenas de ações no país desde o início da guerra civil síria em 2011, a maioria das quais dirigidas contra o Irã e seus representantes. A mais recente ação na Síria atribuída a Israel ocorreu em 15 de fevereiro.

O Irã também culpou Israel por uma série recente de ataques, incluindo uma explosão misteriosa que destruiu uma usina de montagem de centrífugas em sua instalação nuclear de Natanz e a morte de Mohsen Fakhrizadeh, um importante cientista iraniano responsável pelo programa nuclear do país. O Irã prometeu várias vezes vingar a morte de Fakhrizadeh.

Os ataques relatados na Síria ocorreram horas depois de um exame dos danos ao MV Helios Ray indicar que uma explosão que o atingiu no Golfo de Omã foi causada por minas secretamente acopladas ao navio, de acordo com uma reportagem da TV israelense.

Uma equipe israelense está em Dubai acompanhando os reparos no navio.

Matéria divulgada pelo Canal 12 admitiu a possibilidade de a explosão ter sido obra de uma equipe de comando em uma lancha que anexou explosivos ao navio.

O MV Helios Ray, um transportador de veículos, estava viajando do porto saudita de Dammam para Cingapura quando a explosão ocorreu na quinta-feira. A tripulação saiu ilesa da explosão, mas o navio apresentou dois furos a bombordo e dois a estibordo logo acima da linha de água, de acordo com oficiais de defesa americanos.

O incidente ocorre em meio à crescente tensão entre os EUA e o Irã sobre o acordo nuclear de 2015. O Irã tem procurado pressionar o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, pela suspensão das sanções.

A explosão no navio israelense é semelhante a uma série de outros ataques a petroleiros estrangeiros em 2019 que a Marinha dos EUA atribuiu ao Irã. Teerã negou qualquer papel nos supostos ataques, que aconteceram perto do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento na rota do petróleo.

Foto: Giuseppe CACACE / AFP