Netanyahu desembarca em Washington para assinar amanhã acordos de normalização com Emirados Árabes Unidos e Bahrein

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desembarcou na manhã desta segunda-feira nos Estados Unidos para participar da cerimônia nesta terça-feira (15) na Casa Branca, quando ele e os ministros das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos e Bahrein estabelecerão formalmente relações diplomáticas – o terceiro e o quarto tratados de Israel com Estados árabes.

O avião de Netanyahu pousou na Base Aérea Andrews, perto de Washington, DC, depois que o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, chegou, na noite de domingo.

Os textos dos acordos ainda não foram divulgados, mas os dois Estados do Golfo concordaram em normalizar totalmente os laços com Israel, em um avanço diplomático mediado pelos Estados Unidos e visto como uma mudança surpreendente de partes do mundo árabe em relação a Israel.

A normalização das relações com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein segue os tratados de Israel com o Egito em 1979 e a Jordânia em 1994.

Chamando a viagem de “histórica”, Netanyahu disse aos israelenses em declarações transmitidas pela televisão na noite de domingo que havia realizado “dois acordos de paz em um mês”, e disse que ambos significariam um benefício econômico para Israel.

“Isso é sempre bom, mas é particularmente bom durante a crise de coronavírus”, disse ele.

Netanyahu e sua esposa partiram do Aeroporto Ben Gurion, na noite de domingo, sem falar com a imprensa. No entanto, o chefe da agência de espionagem do Mossad, Yossi Cohen, conversou brevemente com repórteres, dizendo que estava empolgado com a viagem e expressando esperança de que outros países sigam os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein e normalizem os laços com Israel.

“Estamos trabalhando nisso” disse ele.

Os degraus da escada do voo Tel Aviv-Washington foram adornados com bandeiras de Israel, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, enquanto a própria aeronave foi pintada com a palavra paz em hebraico, árabe e inglês.

Os Emirados Árabes Unidos e Bahrein serão representados na cerimônia de assinatura por seus ministros das Relações Exteriores, Abdullah bin Zayed Al Nahyan e Abdullatif bin Rashid Al Zayani, respectivamente.

O governo Trump está trabalhando para conseguir que representantes de outras nações árabes participem da cerimônia de assinatura, como um sinal de apoio tácito à tendência crescente de normalização.

Reportagens da imprensa israelense disseram que a Casa Branca está ansiosa para acompanhar outros acordos de normalização com o Marrocos, Sudão e Omã, o último dos quais saudou publicamente o anúncio de um acordo do Bahrein esta semana.

A cerimônia de assinatura ainda está a um passo da ratificação oficial sob a lei israelense, que, segundo especialistas jurídicos, exige o aval do gabinete e do Knesset para os tratados oficiais de paz. Mas o apoio aos acordos é muito alto no Knesset e cruza as linhas partidárias, então a aprovação deve ser unânime.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, será o único líder diplomático da União Europeia a comparecer à cerimônia, com seu gabinete dizendo que foi convidado por Trump, segundo a agência de notícias Reuters. Szijjarto faz parte do governo de extrema direita do primeiro-ministro Viktor Orban, um apoiador e aliado de Trump.

Os acordos de normalização têm sido criticados por facções políticas palestinas, incluindo o Fatah do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o grupo terrorista Hamas, que de forma conjunta apelaram no domingo para que os palestinos realizem um “dia de rejeição popular” para protestar contra as declarações “vergonhosas” de líderes árabes. Os protestos devem ser realizados às terças e sextas-feiras, segundo comunicado dos grupos.

O Irã e a Turquia também criticaram os países do Golfo por reconhecerem Israel.

Embora os acordos sejam populares entre os israelenses, o primeiro-ministro foi criticado pelo momento de seu voo, que ocorre quando o país se prepara para um segundo grande bloqueio por causa do avanço do coronavírus.

Manifestantes que mantêm protestos semanais contra Netanyahu por envolvimento em casos de corrupção levaram seu protesto ao aeroporto Ben Gurion na noite de domingo, fechando brevemente as estradas principais e parando carros nas estradas. Eles carregavam faixas com os dizeres: “Você está afastado, estamos fartos”.

Netanyahu viajou em avião da El Al com sua equipe e repórteres que o acompanham, após cancelar os planos de embarcar em um jato particular separado.

O gabinete do primeiro-ministro inicialmente fretou o segundo avião, citando preocupações com a saúde diante da pandemia de coronavírus. Netanyahu tem 70 anos e, portanto, faz parte do grupo de risco para a doença. “Medidas estritas” não especificadas seriam tomadas para garantir a saúde do primeiro-ministro no voo da El Al, disseram autoridades.

O primeiro acordo de normalização, entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, foi anunciado em 13 de agosto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. De acordo com os três governos em uma declaração conjunta, o acordo verá os Emirados Árabes Unidos estabelecendo laços plenos com Israel, trazendo, assim, uma relação de longa data, mas principalmente secreta, à tona. O acordo Israel-Bahrein foi anunciado nesta sexta-feira (11), quando um comunicado conjunto divulgado por Trump disse que Bahrein e Israel se juntariam à cerimônia de 15 de setembro e assinariam sua própria Declaração de Paz com Israel. O Bahrein já vinha se aproximando de Israel nos últimos anos e, no ano passado, sediou a implementação do elemento econômico do plano de paz israelense-palestino do governo Trump.