Netanyahu desiste de pedido de imunidade e é indiciado por casos de corrupção

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi indiciado hoje pelo procurador-geral Avichai Mandelblit por três casos de corrupção, após ele ter retirado o pedido de imunidade que havia apresentado ao Knesset (Parlamento).

Mandelblit apresentou hoje acusação formal contra o premier no Tribunal Distrital de Jerusalém por casos de suborno, fraude e quebra de confiança . “A acusação foi apresentada agora, conforme previsto em lei, disse o escritório de Mandelblit.

A medida marca a primeira vez na história de Israel que um primeiro-ministro no exercício de suas funções enfrentará acusações criminais, lançando uma sombra sobre o futuro político de Netanyahu – o mais longevo premier de Israel -, seu legado e sua candidatura às eleições de 2 de março.

Em resposta à decisão de Mandelblit, “fontes próximas ao primeiro-ministro” acusaram o procurador-geral de realizar uma ‘caça às bruxas’ contra Netanyahu, disse um porta-voz do Likud, o partido do premier, em comunicado.

“Se alguém ainda tem alguma dúvida de que o primeiro-ministro Netanyahu é alvo de perseguição obsessiva, agora ele recebe provas mais claras e nítidas”, disseram as fontes. “A vontade de registrar a acusação infundada contra o primeiro-ministro foi tão grande que eles não podiam esperar nem um dia até ele voltar da cúpula histórica em Washington, uma das reuniões mais importantes para o nosso país”, disseram as fontes do Likud..

De acordo com o texto da acusação, divulgada pelo Ministério da Justiça em novembro, Netanyahu é acusado de fraude e quebra de confiança nos casos 1000 e 2000, e suborno, fraude e quebra de confiança no caso 4000.

A apresentação das acusações ocorreu horas depois de Netanyahu anunciar hoje pela manhã que estava retirando seu pedido de imunidade parlamentar da acusação pelos casos de corrupção que pesam contra ele.

“Comuniquei ao presidente do Parlamento que retiro meu pedido de imunidade. Mais tarde, provarei que são falsas as acusações formuladas contra minha pessoa”, disse ele em comunicado. “Mas, no momento, não deixarei que meus adversários políticos usem isso para prejudicar o processo histórico que lidero”, completou.

Os procedimentos legais agora seguem para o tribunal, embora um cronograma ainda seja incerto, podendo levar meses ou anos. Netanyahu não é obrigado a renunciar. Embora possa permanecer no cargo, Netanyahu não terá imunidade parlamentar.
“Ele sabia que a imunidade não seria concedida a ele, então quis se poupar de uma humilhação”, disse Amir Fuchs, pesquisador do Instituto de Democracia de Israel, à Bloomberg.