Netanyahu e Gantz concordam em negociar a formação de um governo de emergência diante do avanço do coronavírus

O impasse político em Israel parece estar ficando em segundo plano depois que o coronavírus atingiu o país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu principal rival, Benny Gantz, disseram estar dispostos a iniciar negociações para formar um governo de unidade de emergência a fim de se concentrarem no combate à pandemia de coronavírus que afetou a economia e a vida social do país.

Os líderes dos partidos Likud e Azul e Branco conversaram por telefone no final do dia de ontem para discutir a possibilidade de estabelecer um governo de emergência, enquanto procuravam deixar as diferenças de lado para priorizar a crise de coronavírus que atinge o país e o mundo.

Tanto Netanyahu quanto o líder Azul e Branco, Benny Gantz, expressaram apoio à formação de uma coalizão de união, mas não ficou claro se os dois concordaram com a participação da Lista Conjunta árabe.

Em discurso no gabinete do premier transmitido pela televisão em horário nobre, Netanyahu pediu ao partido centrista Azul e Branco, de Gantz, que apoie a iniciativa após o impasse político de um ano durante o qual nenhum deles conseguiu formar um governo.

“Seria um governo de emergência por tempo limitado, e lutaremos juntos para salvar as vidas de dezenas de milhares de cidadãos”, disse ele em comunicado à imprensa, durante o qual emitiu alertas sobre a eventualidade de haver um alto número de vítimas do coronavírus. Netanyahu também anunciou que a partir de hoje todas as escolas israelenses ficarão fechadas até depois de Pessach (a páscoa judaica, que começa no dia 8 de abril).

Pouco antes, o ministro da Defesa, Naftali Bennett, fez um comentário semelhante, dizendo que apoiaria uma lei para congelar a atual situação política por seis meses e formar um governo de emergência liderado por Netanyahu.

“Em seis meses, podemos voltar para o ponto onde estávamos e continuar a debater”, disse o líder do partido Yamina. “Nenhuma parte perderá seu poder ou sua capacidade de negociar. Mas o vírus não discrimina as linhas políticas, e isso exige que formemos já uma ampla unidade nacional (de governo)”.

O presidente Reuven Rivlin disse em comunicado que congratula-se com qualquer iniciativa que leve à formação de um governo o mais rápido possível, reafirmando que “minha casa está de portas abertas para receber qualquer iniciativa nesse sentido”.

“Precisamos fazer de tudo para nos concentrar nas tarefas que temos pela frente”, disse ele, acrescentando que sua residência está disponível para receber os líderes como um local para se reunir e conversar e que ele estava “pronto para ajudar no que for necessário, com o objetivo de chegarmos a um acordo o mais rápido possível”.

Gantz disse posteriormente que estava disposto a discutir um governo de emergência, mas acrescentou que isso teria de incluir elementos de todos os lados políticos.

“O Azul e Branco, sob minha liderança, continuará apoiando a luta comum contra a epidemia de coronavírus e suas consequências”, escreveu Gantz no Facebook. “Diante da atual situação, estaremos dispostos a discutir a formação de um amplo governo de unidade nacional que inclua a representação de todas as partes. Faremos todos os esforços para avançar nesta etapa em benefício dos cidadãos de Israel”.

A menção à “representação de todas as partes” foi interpretada como um sinal de que Gantz insistiria em um governo de emergência com a participação da Lista Conjunta árabe, algo que Netanyahu não aceita.

Pouco antes, Gantz disse que a crescente crise de coronavírus deve ser colocada acima da política e que seu partido “apoiará todas as medidas destinadas a combater a propagação do vírus”.

Enquanto elogiava o Ministério da Saúde pela forma como está conduzindo a crise do coronavírus nos últimos dias, ele disse que era hora de intensificar a resposta de Israel e usar os vários setores das Forças de Defesa de Israel (IDFs) para lidar com problemas causados pelo vírus.

“A crise da coronavírus no Estado de Israel está apenas começando”, escreveu ele em postagem no Facebook. “Gostaria de esclarecer que, juntamente com os demais membros do Azul e Branco, apoiarei todas as medidas destinadas a ajudar o país a lidar com essa crise e sair dela o mais rápido possível, salvando vidas e limitando os danos à saúde dos israelenses, à economia e ao povo de Israel”.