Netanyahu se declara inocente de acusações de corrupção em audiência

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se declarou inocente de acusações de corrupção na retomada de seu julgamento nesta segunda-feira (8), cerca de seis semanas antes de os eleitores israelenses julgarem novamente sua liderança nas urnas.

Com centenas de manifestantes do lado de fora, o premier chegou cedo na manhã desta segunda-feira ao Tribunal Distrital de Jerusalém para uma audiência muito esperada e sob forte segurança e após vários atrasos devido ao bloqueio de coronavírus.

“Confirmo a resposta por escrito enviada em meu nome”, disse Netanyahu, diante de um painel de três juízes em um Tribunal Distrital de Jerusalém. Ele se referia a um documento que seus advogados entregaram ao tribunal no mês passado, no qual argumentavam que ele não era culpado de acusações de suborno, quebra de confiança e fraude.

Depois de negar formalmente as acusações contra ele e receber permissão dos juízes para se retirar, Netanyahu agradeceu à bancada e deixou o tribunal.

A sessão durou cerca de 20 minutos, durante os quais Netanyahu ficou sentado ao lado de seus advogados e de costas para as câmeras.
A audiência não foi exibida pela TV, mas os jornalistas puderam acompanhar os procedimentos por meio de uma transmissão em outro local do prédio.

O premiê saiu rapidamente do prédio, sem falar com a imprensa nem comentar a sessão. A postura de Netanyahu foi vista como uma forma de impedir que seu julgamento – o primeiro no qual um líder israelense é acusado de um crime no exercício do cargo – interfira nos assuntos do governo enquanto o país se prepara para suspender um lockdown imposto para conter os avanços da pandemia de coronavírus.

A postura de Bibi, como o premiê é conhecido, foi diferente na abertura de seu julgamento, em maio do ano passado. Na ocasião, ele condenou veementemente as acusações que recebera e classificou todo o processo jurídico como uma operação de caça às bruxas movida pela esquerda para destituí-lo do cargo de primeiro-ministro. Desta vez, porém, antes mesmo da audiência, Netanyahu fez um apelo público a seus apoiadores e pediu que eles ficassem longe do tribunal, alegando risco de contaminação por coronavírus caso houvesse aglomerações em possíveis atos de protesto.

Seus apoiadores atenderam ao pedido, mas os opositores não. Do lado de fora do tribunal, dezenas de pessoas seguravam cartazes em que se lia “crime minister”, um trocadilho com o termo em inglês “prime minister” (primeiro-ministro) em que acusam Netanyahu de ser criminoso.

O primeiro-ministro é alvo de três investigações. A primeira apura se ele teria concedido benefícios no valor de US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões, na cotação atual) à empresa de telecomunicações Bezeq, a maior do país, em troca de uma cobertura favorável de seu governo no site de notícias Walla, de propriedade do ex-presidente da companhia.

Nos outros dois casos, ele é acusado de aceitar presentes de bilionários, como charutos e bebidas, no valor de US$ 264 mil (R$ 1,4 milhão), e de oferecer vantagens ao jornal Yedioth Ahronoth (o mais vendido no país), também em troca de uma cobertura positiva.
Apesar de negar todas as acusações, Bibi tem sido alvo de sucessivos protestos semanais e pode ter seu legado mais diretamente questionado nas eleições parlamentares marcadas para 23 de março, o quarto pleito em dois anos.

As pesquisas de opinião preveem uma disputa apertada, em que rivais de direita e opositores esquerdistas podem encerrar o mandato de Netanyahu, que governa o país desde 2009.

Foto: Reuben Castro/Reuters