No 25º aniversário de seu assassinato, o legado de Yitzhak Rabin deve ser preservado

Era sábado à noite, dia 04 de novembro de 1995 e cerca de 100 mil manifestantes ouviam discursos políticos e cantavam pela paz. Dois anos antes, Israel assinara com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) o acordo de Oslo, que previa, em primeiro lugar, o reconhecimento mútuo. Tinha como base o conceito de terra por paz: durante a fase intermediária de negociações, Israel entregaria à administração palestina territórios da faixa de Gaza e da Cisjordânia.

A execução do acordo, porém, era freada pela oposição nacionalista, liderada pelo ex-premiê Benjamin Netanyahu, então líder do Likud. Rabin era acusado pelos adversários de trair o país. Era considerado reservado e arrogante, mas o reconhecimento mundial obtido por seu papel no processo de paz parecia liberar suas emoções.

Rabin estava convicto de haver dado o passo certo em Oslo e satisfeito com o apoio recebido da população. A caminho do carro oficial, que o esperava atrás do palco, foi atingido por dois tiros. Foi levado às pressas para o hospital, mas não resistiu. O assassino, Igal Amir, um estudante de Direito de 25 anos, foi preso no local do crime e, mais tarde, condenado à prisão perpétua.

Afirmação de compromisso pela paz

Apesar de estar sofrendo ameaças, Rabin recusara-se a usar colete à prova de bala. O primeiro a manifestar suas condolências foi o líder palestino Yasser Arafat.

Os dois arqui-inimigos haviam partilhado o Prêmio Nobel da Paz de 1994, simbolizado pelo aperto de mão histórico, ao selarem o acordo em Washington. O ex-presidente americano Bill Clinton lamentou a morte, enfatizando ter perdido “um parceiro e amigo”.

Shimon Peres assumiu o governo israelense em 5 de novembro de 1995, reafirmando o compromisso com a paz. Eleito em 1996, seu sucessor Benjamin Netanyahu fez a mesma promessa, mas congelou o processo de paz em março de 1997.

Na eleição seguinte, foi eleito o líder trabalhista Ehud Barak, que no princípio comprometeu-se a continuar a política de Rabin. Mas o terrorismo de extremistas seguiu dinamitando o diálogo.

Rabin teve a contraditória biografia de um grande general, que virou arquiteto da paz. “A assinatura da declaração de princípios israelense-palestino não é fácil para mim, como um soldado de Israel”, disse em setembro de 1994, nos jardins da Casa Branca, ao lado de Yasser Arafat, da Autoridade Palestina.

Rabin virou um “mártir da paz”, mas dos 13 aos 66 anos dedicara-se à guerra. Nascido em 1º de março de 1922 em Jerusalém, lutou contra o Eixo na Segunda Guerra Mundial, contra os ingleses em 1946 e contra os árabes em 1948.

Em 1964, tornou-se chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel. Foi o grande herói nacional na Guerra dos Seis Dias, em 1967, na vitória militar contra Egito, Jordânia e Síria, em que Israel anexou os territórios da Cisjordânia, Golã e Gaza.

De 1968 a 1973, Rabin foi embaixador em Washington. De volta a Israel, começou a carreira política no Partido Trabalhista. Sucedeu a primeira-ministra Golda Meir, mas foi obrigado a renunciar em 1977, porque mantivera uma conta bancária nos EUA depois do retorno a Israel.

No 25º aniversário da morte de Yitzhak Rabin, o presidente da Conib, Fernando Lottenberg, lembrou do ex-primeiro-ministro, afirmando: “Yitzhak Rabin acreditava que era preciso buscar soluções construtivas para a paz. Não era ingênuo, mas realista. Teve sua vida ceifada quando buscava sua implementação, em meio a uma campanha de descrédito e de ódio, alimentada por seus rivais políticos. Continua fazendo muita falta”.