No Yad Vashem, presidente alemão alerta contra antissemitismo e o ‘veneno do nacionalismo’

Em cerimônia pela libertação de Auschwitz, em Israel, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier afirmou hoje que a memória dos crimes alemães no Holocausto jamais terá fim e que o antissemitismo e o “veneno do nacionalismo” devem ser combatidos hoje e sempre. Steinmeier, reconheceu a responsabilidade alemã pela morte de milhões de judeus pelos nazistas: “Os assassinos, os vigilantes, os ajudantes dos ajudantes, os simpatizantes: eles eram alemães”, afirmou.

Por isso a lembrança “jamais deverá ter fim”, acrescentou Steinmeier, que foi o primeiro chefe de Estado alemão a discursar no museu em memória às vítimas do Holocausto, durante uma cerimônia pelos 75 anos da libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau.

O presidente alemão declarou que gostaria de poder dizer que os alemães aprenderam para sempre com a história, mas que isso não é possível diante dos casos recentes de ódio contra judeus e dos ataques a escolas judaicas e sinagogas.

“Não são as mesmas palavras, não são os mesmos criminosos. Mas é o mesmo mal”, afirmou o líder alemão durante a cerimônia, da qual participaram cerca de cem sobreviventes do Holocausto, além de representantes de cerca de 40 países, incluindo as nações vencedoras da Segunda Guerra Mundial.

Estiveram presentes os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Emmanuel Macron, o vicepresidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e o herdeiro do trono britânico, príncipe Charles, além de dezenas de outros líderes, como o presidente da Argentina, Alberto Fernández, e o rei da Espanha, Felipe 6º.

O presidente da Polônia, Andrzej Duda, recusou o convite para a conferência e expressou sua insatisfação por não ser convidado a discursar, enquanto os representantes da Rússia, da França, do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Alemanha foram.

O campo de Auschwitz-Birkenau estava localizado na Polônia, que organizará sua própria cerimônia para celebrar a libertação na próxima segunda-feira, como faz todos os anos, no Museu e Memorial de Auschwitz-Birkenau.

Steinmeier falou em inglês. Segundo a Presidência alemã, foi um gesto de respeito às vítimas “não falar a língua dos criminosos neste local”.
Em Israel, a celebração foi apresentada como a mais importante da história do país. “É uma reunião histórica não apenas para Israel e o povo judeu, mas para toda a humanidade”, declarou o presidente israelense, Reuven Rivlin.

O campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau foi libertado pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945. “Em Israel admiramos o heroísmo do povo russo na guerra e o papel crucial do Exército Vermelho para derrotar a Alemanha nazista e liberar os campos de extermínio, incluindo Auschwitz”, disse o ministro israelense do Exterior, Israel Katz, ao recepcionar Putin em Jerusalém.

“Nós sabemos como o antissemitismo acaba: ele acaba em Auschwitz”, declarou Putin. Mais de 1 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram assassinadas no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões de judeus foram mortos no Holocausto.