#NoSafeSpaceForJewHate: Organizações lançam campanha de boicote ao Twitter contra postagens antissemitas

Dezenas de contas judaicas e pró-judaicas no Twitter demonstraram seu apoio ao ato #NoSafeSpaceForJewHate de boicote à gigante de mídias sociais contra o crescente número de postagens antissemitas.

Os ativistas pediram a judeus e aliados que façam um boicote de 48 horas no Twitter a partir desta segunda-feira, em uma tentativa de instar a empresa a fazer mais para combater conteúdo e publicações antissemitas.

Entre os que tuitaram que participariam estavam membros do Parlamento do Reino Unido, acadêmicos, publicitários, ativistas e membros de organizações não-governamentais pró-Israel. O rabino Jonathan Sacks aderiu ao movimento.

A paralisação é uma resposta às postagens de uma série de celebridades que usam o Twitter para invocar as crenças da Nação do Islã – um movimento cujo líder, Louis Farrakhan, alegou que os judeus não são o povo real de Israel.

A mais recente publicação antissemita veio do rapper britânico Wiley, membro da Ordem do Império Britânico, que, na sexta-feira, fez um longo discurso antissemita, apontando, entre outras coisas, uma ligação entre judeus e a Ku Klux Klan.

No sábado, o Twitter removeu algumas de suas postagens, enquanto dezenas de outras permaneceram inalteradas. No mesmo dia, o empresário de Wiley, da empresa A-List Management, que é judeu, anunciou que estava deixando o contrato com o rapper por causa de seus comentários antissemitas.

O Instagram, onde Wiley também postou conteúdo antissemita, concedeu ao rapper uma suspensão de sete dias.

Várias organizações judaicas australianas, incluindo o AJN, aderiram ao boicote de 48 horas ao Twitter por causa da falha do site de mídia social em reprimir o conteúdo antissemita.

Políticos, personalidades e ativistas anti-racistas estão entre os participantes da boicote, que começou às 18:00 horas (horário da Austrália) desta segunda-feira.

O protesto foi promovido usando a hashtag #NoSafeSpaceForJewHate.

Entre as organizações que se juntam à campanha está o Conselho de Assuntos Austrália-Israel e Judeus (AIJAC), que observou que “esta campanha de base global procura expor o aumento do antissemitismo no Twitter”.

A organização acrescentou: “O caso Wiley não é o primeiro que o Twitter falha em agir para remover o conteúdo ou sancionar aqueles que promovem antissemitismo”.

“O fracasso do Twitter em agir se tornou mais evidente durante a pandemia de coronavírus, e também após o movimento Black Lives Matter, onde ambos os episódios foram usados pelos inimigos para promover o antissemitismo, incluindo o uso do Twitter para culpar os judeus por espalhar o coronavírus e acusar falsamente. as forças armadas israelenses de ensinar à polícia americana os métodos brutais que levaram à morte do americano George Floyd”.

O diretor executivo da AIJAC, Colin Rubenstein, disse: “As mídias sociais são um impulsionador do ódio antissemita. Cabe a todos nós exortar o Twitter a impedir que sua plataforma seja usada para espalhar o ódio anti-judaico”.

“Sabemos que muitos dos que cometeram crimes violentos de ódio nos últimos anos foram radicalizados nas mídias sociais. O antissemitismo no Twitter é perigoso e o fracasso dessa plataforma em lidar com esse problema crescente pode colocar vidas em risco”.

O Conselho Sionista de NSW, que também está se juntando à campanha, disse que “não ficaremos alheios enquanto as empresas de mídia social continuam a dar as costas ao ódio e ao antissemitismo”.

“Os judeus não podem ser tratados como cidadãos de segunda classe, online, e nós merecemos estar seguros e livres de difamação”, acrescentou o presidente da Comissão Anti-Difamação Dvir Abramovich: “Os gigantes da mídia têm a responsabilidade de fazer melhor para garantir que suas plataformas sejam espaços seguros para todas as pessoas e fazer com que essas manifestações de fanatismo, incitamento e intolerância sejam removidos rapidamente”. “Chegou a hora de o Twitter dar um passeio”, acrescentou.