O enfrentamento à pandemia foi tema de debate em live das lideranças comunitárias da América do Sul

Os presidentes das comunidades judaicas sul-americanas reuniram-se em uma live nesta quinta (25) para debater o tema “Como liderar uma comunidade em tempos de pandemia”. Participaram do debate os presidentes da Conib, Fernando Lottenberg; da Daia, Jorge Knoblovits; da Comunidade Israelita La Paz-Bolívia, Ricardo Udler; da Comunidade Judaica do Chile, Gerardo Gorodischer; da Confederação de Comunidades Judias da Colômbia, Jean Claude Bessudo; da Comunidade Judaica do Equador, Daniel Leszcz; da Comunidade Judaica do Paraguai, Jack Flesichman, e do Comitê Central Israelita do Uruguai, Samy Canias. A moderação foi de Marcelo Isaacson, diretor executivo da comunidade judaica chilena, que organizou o encontro.

O objetivo foi apresentar um panorama da realidade de cada um dos países e das comunidades estabelecidas na região, bem como falar sobre os desafios de liderar as comunidades a partir da situação gerada pela pandemia.

Em sua exposição, o presidente da Conib desenhou o preocupante cenário brasileiro, que conta com mais de um milhão de casos registrados e cerca de cinquenta e cinco mil mortes. No que diz respeito à maneira como a comunidade judaica brasileira está enfrentando a situação, Lottenberg explicou que gabinetes de crise foram acionados ou criados e que a Conib coordena as ações com as 14 federadas estaduais. Relatou também sobre a suspensão das atividades presenciais e da criação de uma significativa rede virtual de atividades que oferecem bastante conteúdo, entre os quais serviços religiosos. “Se vê hoje mais unidade e mais solidariedade na comunidade”, observou Lottenberg, que ressaltou ainda o papel de protagonismo e liderança do Hospital Albert Einstein na sociedade brasileira, em atendimento e pesquisa científica.

Foi uma noite marcada por um clima solidário e transparente, onde todos os presidentes apresentaram seus principais desafios nestes tempos de pandemia, as dificuldades e as boas práticas.

Algumas experiências que eventualmente poderiam ser aproveitadas em outros contextos, ainda que existam diferenças importantes entre as comunidades – por conta da dimensão numérica ou de aspectos culturais – foram citadas. A estrutura de funcionamento das comunidades segue modelos semelhantes, mas cada comunidade dá seu contorno, de acordo com as características do país onde está estabelecida.

Alguns paradigmas e aspectos convergentes mencionados pelos oradores ontem à noite:

Houve um aumento importante de demandas e necessidades comunitárias, especialmente para segmentos em condições mais vulneráveis.

A perspectiva de uma importante crise econômica e social, com impactos em todos os países da região.

A necessidade de ajustar os serviços oferecidos pelas instituições para as comunidades será fundamental, na medida em que os recursos financeiros estão mais escassos.

A dimensão de oferecimento de vida cultural e serviços religiosos online também deve permanecer como alternativa para famílias que não costumavam vir presencialmente aos espaços comunitários.

Ficou evidenciada, na fala dos presidentes, a capacidade das comunidades de reagir diante da situação de crise, de forma resiliente e com soluções criativas.